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Reino Unido pode perder geração de cientistas com cortes em pesquisa

UK pode perder geração de cientistas com cortes a projetos e instalações, empurrando pesquisadores para o exterior e fragilizando a ciência fundamental

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Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel
Scientists in particle physics, astronomy and nuclear physics told their grants will be cut by nearly a third.
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  • O órgão britânico de fomento à pesquisa anunciou cortes em financiamentos de física de quase um terço, com líderes de projeto pedindo avaliar impactos de reduções de até sessenta por cento.
  • Quatro grandes projetos de infraestrutura foram suspensos para economizar mais de £ 250 milhões, incluindo atualização de detector no Large Hadron Collider e um collider de elétrons e íons.
  • Em carta aberta a Ian Chapman, chefe da UK Research and Innovation, mais de quinhentos pesquisadores alertam que jovens cientistas podem perder a oportunidade de carreira no Reino Unido.
  • Pesquisadores jovens dizem buscar oportunidades no exterior devido à falta de estabilidade, afetando inclusive atrair e reter talentos e prejudicando o ânimo no meio científico.
  • Autoridades defendem que as escolhas visam manter competitividade internacional, mas repetem que cortes adicionais terão impactos, enquanto o Science and Technology Facilities Council precisa economizar até 2030.

O Reino Unido anunciou cortes significativos em projetos de física e em instalações de pesquisa, mirando reduzir custos. A decisão afeta bolsas de pesquisa em física de partículas, astronomia e física nuclear, com reduções de até 30% e revisões de impacto de até 60% em alguns projetos.

Ao todo, quatro grandes projetos de infraestrutura foram adiados ou cancelados para economizar mais de £250 milhões. Entre eles está a atualização de um detector do Large Hadron Collider, em Cern, perto de Genebra, e o colliders de elétrons e íons em desenvolvimento com pesquisadores dos EUA.

O anúncio ocorre no contexto de mudanças promovidas pela UK Research and Innovation, a agência de fomento. A meta é fazer “menos coisas, melhor” e priorizar pesquisa aplicada em detrimento de ciência mais fundamental, segundo comunicado da instituição.

Carta aberta de pesquisadores

Mais de 500 cientistas manifestaram preocupação em carta aberta ao presidente da UKRI, Prof. Ian Chapman. O grupo argumenta que a combinação de incerteza, atraso e reordenação de caminhos para jovens pesquisadores pode levar à perda de uma geração no ecossistema de pesquisa e indústria do país.

Dr. Simon Williams, de 29 anos, busca uma vaga de pós-doutorado; o artigo aponta que opções viáveis para permanecer no Reino Unido estão cada vez menores, com relatos de migração para a Alemanha como opção mais estável no momento.

Dr. Claire Rigouzzo, de 26 anos, confirmou aceitação de posição na Europa após não encontrar oportunidades suficientes no Reino Unido. O efeito é ampliado quando docentes experientes também sentem dificuldades para atrair pesquisadores de alto nível, segundo a reportagem.

UKRI tem quase £9 bilhões para distribuir neste ano entre ciência física, engenharia, ciências biológicas e pesquisa médica. O Science and Technology Facilities Council, que financia física e grandes instalações, também está envolvido na mudança de prioridades.

Desafios financeiros para instalações nacionais

O STFC precisa economizar £162 milhões até 2030, em parte devido ao aumento de custos de energia das instalações nacionais e de assinaturas a projetos internacionais, como CERN e ESA, influenciadas pela variação cambial. Parte dos compromissos é incompatível com o orçamento atual.

Dr. Lucien Heurtier, pesquisador de 37 anos, encerra contrato em setembro e já busca oportunidades na China. O relato indica que universidades podem relutar em abrir vagas de docente para pesquisa guiada pela curiosidade sem suporte financeiro suficiente.

A saída de bolsas também preocupa pela atuação em observatórios estrangeiros, com Rubin Observatory no Chile citado como exemplo de projeto global que pode carecer de pesquisadores no Reino Unido para operá-lo quando entrar em ação.

Professora Catherine Heymans, astronomia da Escócia, alerta que o timing é crítico, já que telescópios começam a operar neste ano. A ausência de pessoal no Reino Unido pode comprometer o aproveitamento dos recursos internacionais.

Prof. Mike Lockwood, da Royal Astronomical Society, pediu intervenção governamental para evitar uma catástrofe científica. Segundo ele, o setor de instalações já está sobrecarregado e os jovens estudantes são os mais afetados.

Defesa oficial

Ian Chapman defendeu as escolhas, lembrando que algumas áreas devem ser deixadas de lado para não comprometer a competitividade internacional quando o orçamento está restrito. Ele afirma que sem priorização, não há recursos suficientes para tudo, nem no Reino Unido nem no exterior.

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