- Um bonobo chamado Kanzi foi capaz de identificar a localização de objetos imaginários em cenários de faz de conta, conforme estudo publicado na revista Science.
- Os experimentos mostraram que Kanzi apontou corretamente o copo cheio em 34 de 50 tentativas, sugerindo compreensão de líquidos imaginários.
- Em outro teste, Kanzi distinguia entre líquido real e imaginário: em 14 de 18 ocasiões ele escolheu o copo com líquido de verdade.
- Em um terceiro experimento, o animal localizava corretamente uma uva imaginária colocada em um dos dois recipientes transparentes.
- Os pesquisadores afirmam que esses resultados indicam que a capacidade de representar objetos de faz de conta pode não ser exclusividade humana e pode ter origem comum com os bonobos, possivelmente remanescente de 6 a 9 milhões de anos de ancestralidade.
Kanzi, um bonobo já falecido, participou de experimentos que sugerem a capacidade de representar objetos imaginários em cenários de faz de conta. O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de St Andrews e da Johns Hopkins e publicado na revista Science.
Os cientistas treinaram Kanzi a apontar para recipientes com suco, recompensando-o por isso. Em seguida, apresentaram copos transparentes vazios e simularam o enchimento com uma jarra vazia, pedindo que ele indicasse qual copo continha o suco imaginário.
Kanzi acertou 34 de 50 tentativas ao indicar o copo com líquido imaginário, o que indicou compreensão do conceito de líquidos ausentes. Em outra etapa, ele distinguiu entre líquidos reais e imaginários, vencendo 14 de 18 tentativas.
Metodologia e resultados
Os pesquisadores mostraram dois copos, um com suco real e o outro vazio, simulando o enchimento do copo vazio. Kanzi escolheu o copo com líquido real em 14 de 18 tentativas, sugerindo compreensão de presença de objetos tangíveis versus imaginários.
Em um terceiro experimento, Kanzi localizou com acerto a posição de uma uva imaginária em recipientes transparentes. Os autores destacam que não está claro se o desempenho se aplica a chimpanzés não treinados na comunicação com humanos.
Observações e contexto
O estudo argumenta que a capacidade de representar objetos imaginários pode ter raízes evolutivas compartilhadas com os humanos, levando a estimativas de origem entre 6 e 9 milhões de anos atrás, conforme as interpretações dos pesquisadores. O trabalho é descrito como o primeiro teste experimental rigoroso de pensamento imaginativo em um não humano.
Especialistas externos ressaltaram a necessidade de mais pesquisas com símios sem o mesmo contato humano direto de Kanzi. O estudo sustenta que a demonstração de pensamento de faz de conta não é exclusiva dos humanos, abrindo caminho para novas investigações.
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