- Pesquisadores identificaram quatro áreas cerebelares envolvidas no processamento da linguagem, expandindo a rede de linguagem do cérebro até o cerebelo.
- O estudo, liderado por Evelina Fedorenko do MIT, foi divulgado em 21 de janeiro na revista Neuron.
- Usando ressonância magnética funcional, os cientistas mapearam a rede de linguagem em mais de oitocentas pessoas, observando atividade em tarefas linguísticas e também em tarefas não linguísticas.
- Três das áreas cerebelares ficaram ativas apenas durante a linguagem, mas também se envolveram em tarefas não linguísticas, sugerindo que o cerebelo pode integrar informações de várias partes do cérebro. Um periódico direito posterior foi identificado como um “satélite” da rede de linguagem neocortical.
- As descobertas abrem caminhos para entender o papel do cerebelo no aprendizado de idiomas e para possíveis abordagens de reabilitação da linguagem, incluindo estimulação não invasiva.
A descoberta aponta que a rede de processamento de linguagem no cérebro vai além do neocórtex e alcança o cerebelo, região tradicionalmente ligada à coordenação de movimentos. A equipe do MIT, liderada por Evelina Fedorenko, mapeou áreas dedicadas à linguagem que atuam durante leitura, fala, escuta, escrita ou sinalização.
A pesquisa, publicada em 21 de janeiro na revista Neuron, ampliou a noção de que o cérebro utiliza um conjunto de regiões interligadas para linguagem. Os cientistas registraram padrões de atividade em tarefas linguísticas e em atividades não linguísticas para identificar estruturas específicas.
Colton Casto, estudante de doutorado de Harvard e MIT, afirma que o cerebelo tem sido negligenciado pela comunidade de linguagem. Os pesquisadores decidiram revisitar dados de ressonância magnética de mais de 800 voluntários para investigar esse órgão.
O que foi encontrado
A análise revelou quatro áreas cerebelares envolvidas de forma consistente durante o uso da linguagem. Três dessas regiões também se ativaram em tarefas não linguísticas, surpreendendo porque as áreas principais de linguagem no neocórtex costumam ser dedicadas exclusivamente à linguagem.
Os autores sugerem que o cerebelo pode integrar informações de diferentes partes do cortex, contribuindo para tarefas cognitivas complexas além da linguagem. A explicação pode abrir caminhos para compreender como diferentes tipos de informação se conectam.
Uma região no cerebelo direito, na parte posterior, apresentou padrões que lembraram os da rede de linguagem cortical. Ela ficou em silêncio em tarefas não linguísticas, mas se ativou durante atividades linguísticas, sendo descrita como um possível “satélite” cerebelar da rede.
Implicações e próximos passos
A equipe ressalta que as neuronas do cerebelo têm organização diferente do neocórtex, o que torna improvável replicar exatamente as mesmas funções. Pesquisas futuras vão explorar a função do satélite cerebelar com mais profundidade.
Os pesquisadores também consideram a possibilidade de o cerebelo ter papel especial no aprendizado de linguagem, tanto em desenvolvimento quanto em aprendizados posteriores. A descoberta pode ainda apontar novas estratégias para reabilitação de afasias.
Estudos em andamento avaliam se a estimulação não invasiva de áreas de linguagem no cérebro pode favorecer a recuperação de funções perdidas. A região cerebelar direita pode emergir como alvo potencial para terapias futuras.
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