- Pesquisadores de MIT e do Scripps desenvolveram uma vacina que usa uma casca de DNA para exibir o antígeno HIV eOD-GT8, criando partículas similares a vírus (VLP) silenciosas ao sistema imune.
- Em modelos com camundongos humanizados, a VLP de DNA gerou oito vezes mais células B precursoras específicas no alvo do que a VLP baseada em proteína já usada em ensaios clínicos.
- O objetivo é expandir células B raras capazes de evoluir para produzir anticorpos neutralizantes amplos contra HIV, etapa essencial para uma possível vacina eficaz.
- A casca de DNA não induz resposta imune contra o próprio VLP, o que pode permitir o uso da plataforma para entregar múltiplos antígenos na estratégia de imunização.
- Os resultados sugerem potencial para aplicação além do HIV, em vacinas contra influenza, doenças desafiadoras e, eventualmente, em imunoterapias ativas; estudo publicado na revista Science.
A equipe de MIT e do Scripps Research Institute desenvolveu uma vacina que amplia a população de células B precursoras raras capazes de evoluir para produzir anticorpos neutralizantes contra HIV. O estudo compara uma versão de VLP baseada em DNA com uma VLP proteica usada em ensaios clínicos, em modelo de camundongos humanizados. O objetivo é induzir respostas de anticorpos amplamente neutralizantes, capazes de agir contra várias cepas do vírus.
Os resultados indicam que a VLP de DNA gerou oito vezes mais células B desejadas do que a construção proteica, em testes pré-clínicos. Além disso, o DNA VLP não estimula resposta imune contra o próprio esqueleto de DNA, o que facilita usar o sistema para entregar múltiplos antígenos em estratégias de reforço.
Segundo os autores, essa abordagem pode reduzir a competição entre células B contra antígenos irrelevantes, aumentando a chance de as células raras evoluírem para respostas direcionadas ao HIV. Pesquisadores destacam que o resultado representa um avanço em imunoterapia e desenho de vacinas.
A pesquisa é liderada por Mark Bathe (MIT) e Darrell Irvine (Scripps), com Anna Romanov como autora principal. O estudo foi publicado na revista Science e financiado por diversas instituições, incluindo NIH, Howard Hughes Medical Institute, NSF e Fundação Novo Nordisk.
As implicações vão além do HIV. Os autores sugerem que a plataforma de VLP de DNA pode ser aplicada a outras doenças desafiadoras e a potenciais antígenos adicionais em séries de vacinação, bem como a aplicações de imunoterapia.
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