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Melatonina pode trazer riscos a longo prazo

Uso prolongado de melatonina pode elevar risco de insuficiência cardíaca e internações, aponta estudo norte-americano; especialistas ressaltam necessidade de acompanhamento médico

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Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel
Fotografia de um despertador ao lado de comprimidos de melatonina organizados em formato de Z.
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  • Melatonina é classificada pela Anvisa como suplemento alimentar e pode ser vendida sem prescrição, embora seja um hormônio neuroquímico que regula o sono.
  • Um estudo apresentado em novembro de 2025 sugere que uso de melatonina por pelo menos um ano pode estar associado a maior risco de insuficiência cardíaca, com probabilidade cerca de 90% maior, e de hospitalização por essa doença, cerca de 250% maior; o risco de morte também é roughly 2 vezes maior.
  • Os resultados são preliminares e ainda não passaram por revisão por pares, não contendo confirmação de causalidade.
  • Atenção à indicação médica: a melatonina tem poucas situações em que há indicação clara e o uso sem acompanhamento pode trazer efeitos adversos, como sonolência diurna, tontura e dor de cabeça.
  • Parte das medidas para dormir melhor envolve terapia cognitivo-comportamental para insônia e higiene do sono, além de evitar uso prolongado sem orientação e de manter hábitos saudáveis de sono, alimentação e atividade física.

A melatonina, vendida sem prescrição, ganhou espaço nas farmácias, com formatos em comprimido, gota e bala de goma. O uso sem orientação médica pode trazer prejuízos à saúde, mesmo com aprovações regulatórias.

Um estudo apresentado em novembro de 2025, nas Sessões Científicas da AHA, aponta associação entre uso prolongado de melatonina e maior risco cardiovascular em adultos com insônia crônica. Foram analisados mais de 130 mil prontuários.

Quem usou melatonina por pelo menos um ano apresentou, ao longo de cinco anos, cerca de 90% mais chances de insuficiência cardíaca, além de 250% mais probabilidade de hospitalização pela condição. A mortalidade não é bem definida ainda.

Apesar dos resultados, as evidências são preliminares e não revisadas por pares. A neurologista Giuliana Macedo Mendes afirma que não há certeza de causalidade, mas há forte associação que merece atenção médica e pública.

Indicações e riscos

No rótulo, a melatonina é classificada como suplemento alimentar desde 2021, o que permite venda sem receita. A Anvisa justifica a decisão com a presença natural da substância em alimentos e a segurança dentro de limites legais.

Entretanto, a melatonina é um neuro-hormônio que regula o ritmo circadiano. Ela atua para favorecer o sono e, ao mesmo tempo, tem ações antioxidantes e anti-inflamatórias, o que reforça a necessidade de uso adequado.

O uso indiscriminado pode gerar efeitos como sonolência diurna, tontura, dor de cabeça e desorientação. Dosagens acima do limite de segurança de 0,21 mg, recomendado por autoridades, exigem acompanhamento.

A dosagem deve ser ajustada à quantidade de hormônio já presente no organismo. A dosagem inadequada pode manter efeitos residuais ao acordar, dificultando o dia seguinte.

Poucos quadros têm indicação firme de suplementação, como lesões visuais que afetam a percepção de luminosidade ou distúrbios de fase do sono. Nesses casos, a melatonina pode fazer parte do tratamento, sempre com supervisão.

A Anvisa alerta que não é permitido atribuir melhora de insônia apenas ao consumo de suplementos sem comprovação científica. Empresas que desejam alegar efeitos precisam apresentar estudos que sustentem a relação.

Dormir sem medicação

O sono está ligado à saúde geral, humor, concentração e desempenho. Insônia crônica costuma exigir tratamento específico, não apenas suplementação.

A terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I) é reconhecida como tratamento-ouro, ajudando a modificar pensamentos e hábitos que mantêm o problema. Em muitos casos, é recomendada como primeira linha.

Mudanças no estilo de vida também ajudam. Higiene do sono, redução de estímulos noturnos como TV e celular, além de atividade física regular, favorecem o descanso. Exercícios matinais ou vespertinos ajudam a regular o relógio biológico.

A última refeição deve ser leve e antecipada, para evitar sono fragmentado. Técnicas de relaxamento e manejo do estresse também contribuem para melhorar a qualidade do sono.

Caso dificuldades recorrentes persistam, é indicado procurar um médico do sono para avaliação e tratamento adequados. A prática de automedicação com melatonina deve ser evitada sem orientação profissional.

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