- Em 2018, pesquisadores encontraram uma nova espécie de morcego nas galerias de túneis abandonados nas montanhas Nimba, na Guiné, batizada de Myotis nimbaensis.
- A descoberta ocorreu enquanto a mineradora Ivanhoe Atlantic tentava abrir uma mina de ferro a céu aberto na região, reconhecida por sua biodiversidade e pelo status de patrimônio da UNESCO.
- Os cientistas capturaram dois morcegos, um macho e uma fêmea, e registraram ambientalmente a ecolocalização em cinco adits, conectando-os à nova espécie.
- Conservacionistas dizem que o projeto pode levar à extinção tanto do Myotis nimbaensis quanto da Lamotte’s roundleaf bat, além de impactar chimpanzés e outras espécies ameaçadas.
- Organizações internacionais pedem moratória e revisão completa do estudo de impacto ambiental, com consulta a especialistas independentes e entidades como UNESCO e IUCN, diante de falhas apontadas no relatório recente.
Rare bats at risk as iron ore mine advances in Guinea’s Nimba Mountains
Em 2018, cientistas de Bat Conservation International, da Universidade de Maroua e do American Museum of Natural History identificaram uma nova espécie de morcego na Serra de Nimba, em Guiné, durante avaliação ambiental do projeto de minério de ferro. A descoberta ocorreu em túneis abandonados de minas dos anos 70 e 80.
Os pesquisadores capturaram apenas dois morcegos, um macho e uma fêmea, em ocasiões distintas, dentro de cinco galerias de acesso às antigas minas. Eles também registraram echolocação compatível com o morcego, que recebeu o nome Myotis nimbaensis.
Riscos para a biodiversidade
A empresa Ivanhoe Atlantic, antiga HPX, planeja abrir uma mina de ferro a céu aberto na região, parte do Patrimônio Mundial da UNESCO. Conservacionistas alertam que o projeto pode trazer riscos de extinção para Myotis nimbaensis e para a Lamotte’s roundleaf bat, de interesse crítico.
A biological necessário para a sobrevivência dos morcegos inclui rotas de voo e áreas de forrageio que podem ser destruídas pela infraestrutura da mina, bem como pelo desmatamento e poluição de rios. Além disso, a região abriga espécies igualmente vulneráveis, como o chimpanzé e o sapo vivíparo Nimbaphrynoides occidentalis.
Situação regulatória e respostas
O governo da Guiné analisou recentemente o relatório de impacto ambiental submetido pela Ivanhoe Atlantic, com participação de órgãos internacionais. A avaliação é considerada incompleta por especialistas independentes, que apontam lacunas sobre as fases futuras da mineração.
Organizações internacionais de conservação, como Re:wild e Amphibian Survival Alliance, pedem moratória enquanto não houver consulta ampla a especialistas e avaliação integrada dos impactos. O governo declarou que o processo está em revisão e será encaminhado a UNESCO, IUCN e NCEA para comentários.
Implicações locais e internacionais
Observadores ressaltam que Mount Nimba é um hotspot de biodiversidade e que a área de proteção formal abrange uma fronteira entre Guiné, Libéria e Costa do Marfim. O desdobramento do projeto pode afetar comunidades locais, recursos hídricos e a integridade de áreas protegidas, se autorizado.
Autoridades guineenses afirmaram que as restrições de exploração nas áreas próximas à UNESCO são altas. A avaliação ambiental completa ainda depende de etapas adicionais, incluindo consultas com especialistas e autoridades internacionais de proteção ambiental.
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