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Desmatamento nas florestas caiu em 2025, mas riscos permanecem

Deflorestação desacelerou em alguns lugares, mas pressões indiretas, fogo e degradação mantêm riscos; governança e finanças definem o futuro das florestas tropicais

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Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel
Rainforest in Brunei in 2025. Photo by Rhett Ayers Butler.
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  • Em 2025, o desmatamento desacelerou em várias regiões, com queda de cerca de 11% no corte raso no Brasil até julho, mas degradação e incêndios seguiram representando riscos devido a danos anteriores e clima mais quente.
  • O ano mostrou que as florestas tropicais são impactadas por sistemas interagentes (fogo, degradação, governança, finanças, fiscalização), não por um único fator decisivo.
  • Na esfera global, a COP 30 em Belém sinalizou avanços em financiamento, destacando o Tropical Forest Forever Facility (US$ 125 bilhões), ainda sem captação garantida para colocar o plano em prática.
  • A União Europeia adiou a aplicação da Eudr, mantendo as regras de desmatamento em teoria, mas postergando cobranças e ampliando debates sobre eficácia e rastreabilidade.
  • Nos Estados Unidos, houve retirada de investimentos e queda de apoio à conservação, com congelamento de ajuda externa, impacto no monitoramento e na cooperação internacional para proteção de áreas.

O ano de 2025 não trouxe uma reversão dramática, mas confirmou pressões acumuladas sobre as florestas tropicais. Em algumas regiões, a derrubada diminuiu; em outras, perdas persistiram sob fogo, degradação e escolhas políticas que vão além do desmatamento direto. Governos falam em proteção, mas infraestrutura, extração e energia avançam sobre ecossistemas.

Apesar de avanços, o cenário foi marcado por forças indiretas. Calor, seca e danos passados moldaram resultados florestais, mesmo com recuo recente da abertura de áreas. Mercados valorizam persistência; finanças migraram para instrumentos fiscais amplos; a aplicação da lei ganhou relevância junto à credibilidade institucional.

Em nível global, a diplomacia climática continuou com espaço limitado para decisões vinculantes. A COP30, em Belém, evitou colapso, mas adiou escolhas difíceis. Ferramentas de mercado progrediram de forma desigual, moldadas pela confiança política e pela capacidade de atuação.

The Amazon

Brasil registrou queda de 11% no desmatamento em 12 meses até julho, apontam números oficiais e monitoramento independente. Enfraquecimento vem de degradação acumulada e clima aquecido; incêndios ainda pesam no ecossistema.

Enfrentou-se, porém, um legado de 2024. Grande parte da perda passou a degradação e corte seletivo, vulneráveis a fogo e recuperação lenta. Esforços de fiscalização, com embargo a propriedades, mostraram efeitos, mas não eliminam riscos.

Em Belém, o governo apresentou o Tropical Forest Forever Facility, um mecanismo de US$ 125 bilhões para recompensar manter florestas. O financiamento ainda depende de captação; a iniciativa visa maior accountability além de ações pontuais.

Mantidas as fissuras

Brasil ampliou fiscalização com uso de dados de satélite, afetando fronteiras rurais. Enquanto isso, obras de infraestrutura, como BR-319, e estratégias de defesa de áreas críticas colocaram o tema florestal no centro do debate público, com impactos variados na preservação.

Na região amazônica vizinha, Colômbia zerou novos projetos de óleo e mineração, mas a taxa de desmatamento subiu em áreas fronteiriças. Peru sinalizou flexibilização de proteções para povos indígenas em isolamento, abrindo áreas protegidas a exploração.

Congo Basin

Na bacia do Congo, 2025 mostrou pressão crescente sobre áreas até então amortecidas. Dados de satélite indicaram aumento do desmatamento, com avanço para províncias antes mais estáveis.

Conflito e demanda por combustível reforçaram essas tendências no leste, elevando o risco de degradação e fragilizando a governança ambiental. Mineração artesanal, extração de madeira e produção de carvão contribuíram para a perda de cobertura florestal.

Concentrações de políticas estrangeiras em expansão de produção de petróleo, dentro de áreas protegidas, geraram debates sobre prioridades entre receitas e proteção climática. Em contrapartida, concessões comunitárias e pagamentos por serviços ecossistêmicos surgiram como movimentos de contenção limitados.

Indonésia

O país manteve queda de desmatamento, cerca de 11% abaixo de 2023, apesar de episódios de fogo em áreas de turfa. Queimadas atingiram enormes áreas, produzindo fumaça que chegou a países vizinhos e afetou severamente a qualidade do ar.

Aquecimento trouxe enchentes e deslizamentos provocados por ciclone Senyar, intensificando danos já relacionados à degradação de florestas. A gestão de áreas de extração foi criticada por violações em concessões licenciadas, com dúvidas sobre futuras ações legais.

O governo manteve promessa de tornar as florestas neutras em carbono e reconheceu territórios de 1,4 milhão de hectares de comunidades tradicionais. Contudo, tensões sobre demarcação e conflitos de terra continuam presentes, especialmente em Papua e Kalimantan.

COP30 e finanças de florestas

Antes de COP30, o evento foi visto como potencial ponto de virada, mas funcionou mais como um espaço de contenção. Belém sediou discussões sobre adaptação e financiamento, com pouca definição de metas obrigatórias para evitar desmatamento.

O Brasil apresentou o Tropical Forest Forever Facility, com captação inicial aquém do desejado. A estrutura prevê pagamentos baseados em resultados, com pelo menos 20% destinados a povos indígenas, porém a distribuição efetiva depende de implementação e governança.

Commodities e mercados

Mercados de commodities mostraram sinais díspares. Ouro impulsionou a mineração em áreas florestais, mantendo pressão sobre ecossistemas. Cacau e carne bovina continuaram ligados à fronteira de desmatamento, com regras de comércio influenciando decisões locais.

Desempenho do etanol, soja e óleo de palma variou por região. A demanda por minerais críticos, como níquel e terras raras, acentuou pressões em áreas de floresta, conectando transição energética a decisões de uso da terra.

Mercados de carbono e EUA

Mercados de carbono florestal encolheram em 2025, com credores buscando créditos de maior confiabilidade. Crimes ligados a créditos no Brasil chamaram a atenção para falhas regulatórias e impactos sobre comunidades indígenas.

Nos EUA, cortes de financiamento externo para conservação afetaram projetos de longo prazo. Em CITES, participação manteve-se, com atuação cautelosa em novas proteções. A presença internacional ficou mais restrita, reduzindo o peso externo na gestão florestal.

Recuperação e ecologia

Estudos mostraram que manter florestas em recuperação já iniciada pode render mais carbono do que novas plantações, desde que haja segurança de tenure e proteção contínua. A regeneração natural, assistida ou em mosaico, apresenta resultados variados conforme o contexto.

Monitoramento remoto ganhou destaque, com sensores de radar e lidar retornando para medir biomassa e estrutura de floresta. Plataformas de alerta em tempo quase real melhoraram respostas, embora interrupções em missões orbitais coloquem em risco séries temporais.

Olhando para 2026

Especialistas destacam que 2026 exigirá continuidade de políticas consistentes, com foco em governança, financiamento estável e proteção de comunidades locais. A tendência é de maior integração entre finanças públicas, mecanismos de conservação e resultados de longo prazo.

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