- Atualmente, o biomethane já aquece cerca de 1 milhão de casas no Reino Unido, com cerca de 20 plantas no sudoeste da Inglaterra; a Wyke Farms já gera energia a partir do gás, abastecendo parte da própria dairy.
- Segundo a campanha Green Gas Taskforce, o potencial é de 10 a 15 milhões de lares a serem aquecidos com biomethano até 2050, o que equivaleria a cerca de 18% do consumo total de gás do país.
- O processo utiliza dejeto de vaca (slurry) em digestores anaeróbios; a produção já é vista como benefício econômico para áreas rurais, com geração de energia para uso próprio e venda excedente à rede.
- Desafios existem: custo de instalação elevado e a coleta de estercos é incompleta — apenas 2,5% do slurry britânico é destinado a plantas de digestão anaeróbia — o que limita a expansão.
- Mesmo com crescimento, há debate sobre o quanto biomethane pode substituir o gás fóssil; ambientalistas alertam para a possibilidade de que parte da gasificação permaneça dependente de fontes não renováveis sem outras opções de descarbonização.
Diante da busca britânica por fontes de calor mais sustentáveis, produtores rurais avaliam o potencial do biometano obtido a partir de dejeto de vaca. A ideia é transformar a atividade diária das fazendas em energia renovável, já utilizada em cerca de 1 milhão de lares.
Entre os que já utilizam esse gás, está a Wyke Farms, no sudoeste da Inglaterra, que gera energia para parte de suas operações. O biogás é produzido a partir de resíduos de animais em digestores anaeróbios, com o gás limpo injetado na rede.
Somerset, na região de Bruton, abriga uma fazenda que trata o dejeto de vaca para extrair metano. O agricultor Richard Clothier diz que o produto é essencial para a dairy e para a autossuficiência energética da propriedade.
Segundo Clothier, a planta de biometano construída em 2013 custou cerca de 4 milhões de libras e funciona com o processo de digestão anaeróbia, que separa o gás dos resíduos. O metano é capturado, purificado e conectado à rede nacional de gás.
A campanha Green Gas Taskforce afirma haver espaço para ampliar o uso de biometano a 10–15 milhões de lares até 2050, estimando que o biogás possa responder a até 18% do consumo total de gás no Reino Unido.
Para citar ganhos rurais, a campanha sustenta que a expansão near farms geraria investimentos, empregos e benefícios ambientais locais, sem depender exclusivamente de grandes centros urbanos.
Entretanto, especialistas ouvidos na análise destacam limites. Estimativas apontam que a biomassa disponível não é infinita e que o nível de produção pode variar conforme a coleta de resíduos alimentares e a construção de novas plantas próximas a fazendas.
Dados de think tank indicam que biomometano poderia substituir, no máximo, 18% do gás britânico, cenário considerado otimista. Há a necessidade de outras estratégias para descarbonizar aquecimentos e transporte.
No caso de Clothier, a decisão de investir no biogás decorre da percepção de benefício econômico e ambiental. Ele ressalta que grande parte do lixo agrícola pode ser direcionada a plantas como a dele, gerando metano e reduzindo a dependência externa.
A região do sudoeste já concentra cerca de 20 usinas de biometano, conforme informações locais, com interesse em ampliar o parque para acelerar a transição energética na área rural.
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