- Retratação do estudo de 2000 que afirmava que o glifosato não apresenta riscos à saúde, publicada na revista Regulatory Toxicology and Pharmacology após identificar conflitos de interesse e questões éticas.
- O artigo foi assinado por Gary Williams, Robert Kroes e Ian Munro; cientistas da Monsanto teriam participado secretamente da escrita, sem divulgação do envolvimento da empresa.
- A retratação foi publicada após investigações que mostraram que Williams, único autor vivo, não se pronunciou sobre o tema.
- Documentos divulgados em 2017, durante processo nos Estados Unidos contra a Monsanto (agora parte da Bayer), mostraram mensagens sugerindo que cientistas da Monsanto poderiam escrever artigos e apenas assinar edições, sem disclosure adequado.
- A decisão aponta viés na revisão, que utilizou pesquisas da Monsanto não publicadas em veículos sérios, e reforça o debate sobre a segurança do glifosato, com órgãos reguladores mantendo posições variáveis sobre o uso seguro.
O jornalismo acompanha a retratação de um estudo antigo que defendia a segurança do glifosato, o herbicida mais utilizado no mundo. Publicado originalmente em 2000, o artigo foi despublicado 25 anos depois, após novas informações sobre conflitos de interesse e ética na sua autoria.
A decisão foi anunciada pela revista Regulatory Toxicology and Pharmacology, citando falhas éticas graves e a participação secreta de cientistas da Monsanto na redação, sem divulgação pública. Hoje, apenas Gary Williams permanece vivo e não se manifestou sobre o caso.
Contexto e autores
O estudo de 2000, assinado por Williams, Kroes e Munro, afirmava que o Roundup não apresentava riscos à saúde humana. A revisão reunia pesquisas anteriores, sem realizar experimentos novos, e influenciou regulações globais por anos.
Revelações e consequências éticas
Documentos internos da Monsanto, tornados públicos no processo de 2017 nos EUA, mostraram que a empresa escreveu o artigo por meio de colegas independentes, sem informar o público. Mensagens internas indicaram a participação de cientistas da Monsanto na redação, um claro conflito de interesse.
Repercussão científica e institucional
A imprensa científica cobriu o caso após a revelação, mas medidas formais demoraram. Em setembro, pesquisadores Oreskes e Kaurov reacenderam o debate ao questionar a continuidade de citações ao estudo retratado, mesmo após as revelações.
Atualização editorial
O atual editor-chefe da revista, Martin van den Berg, justificou a retratação por preocupações éticas quanto à autoria real e ao conteúdo da revisão, que incluía dados da Monsanto e ignorava pesquisas independentes. Williams não comentou o episódio.
Contexto regulatório
O glifosato é aprovado por agências como EPA, Anvisa e outras, que mantêm a avaliação de que não há riscos comprovados em doses permitidas. Em 2015, a IARC classificou o químico como provavelmente cancerígeno, alimentando o debate público.
Posição da Bayer
A Bayer, que herdou a Monsanto, afirmou que o consenso regulatório global valida o uso seguro do glifosato conforme instruções. A empresa ressalva que não há evidências convincentes de carcinogenicidade nas doses usadas na agricultura.
Desdobramentos e continuidade
A retratação reacende a discussão sobre integridade científica, transparência de financiamentos e qualidade de revisões. O caso segue sem consequências legais diretas para os demais autores ou instituições envolvidas.
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