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Estudo sobre segurança do glifosato é despublicado após 25 anos

Retratação de estudo de 2000 que afirmava segurança do glifosato após revelações de conflitos de interesse e uso de dados da Monsanto

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Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel
(Vithun Khamsong/Getty Images)
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  • Retratação do estudo de 2000 que afirmava que o glifosato não apresenta riscos à saúde, publicada na revista Regulatory Toxicology and Pharmacology após identificar conflitos de interesse e questões éticas.
  • O artigo foi assinado por Gary Williams, Robert Kroes e Ian Munro; cientistas da Monsanto teriam participado secretamente da escrita, sem divulgação do envolvimento da empresa.
  • A retratação foi publicada após investigações que mostraram que Williams, único autor vivo, não se pronunciou sobre o tema.
  • Documentos divulgados em 2017, durante processo nos Estados Unidos contra a Monsanto (agora parte da Bayer), mostraram mensagens sugerindo que cientistas da Monsanto poderiam escrever artigos e apenas assinar edições, sem disclosure adequado.
  • A decisão aponta viés na revisão, que utilizou pesquisas da Monsanto não publicadas em veículos sérios, e reforça o debate sobre a segurança do glifosato, com órgãos reguladores mantendo posições variáveis sobre o uso seguro.

O jornalismo acompanha a retratação de um estudo antigo que defendia a segurança do glifosato, o herbicida mais utilizado no mundo. Publicado originalmente em 2000, o artigo foi despublicado 25 anos depois, após novas informações sobre conflitos de interesse e ética na sua autoria.

A decisão foi anunciada pela revista Regulatory Toxicology and Pharmacology, citando falhas éticas graves e a participação secreta de cientistas da Monsanto na redação, sem divulgação pública. Hoje, apenas Gary Williams permanece vivo e não se manifestou sobre o caso.

Contexto e autores

O estudo de 2000, assinado por Williams, Kroes e Munro, afirmava que o Roundup não apresentava riscos à saúde humana. A revisão reunia pesquisas anteriores, sem realizar experimentos novos, e influenciou regulações globais por anos.

Revelações e consequências éticas

Documentos internos da Monsanto, tornados públicos no processo de 2017 nos EUA, mostraram que a empresa escreveu o artigo por meio de colegas independentes, sem informar o público. Mensagens internas indicaram a participação de cientistas da Monsanto na redação, um claro conflito de interesse.

Repercussão científica e institucional

A imprensa científica cobriu o caso após a revelação, mas medidas formais demoraram. Em setembro, pesquisadores Oreskes e Kaurov reacenderam o debate ao questionar a continuidade de citações ao estudo retratado, mesmo após as revelações.

Atualização editorial

O atual editor-chefe da revista, Martin van den Berg, justificou a retratação por preocupações éticas quanto à autoria real e ao conteúdo da revisão, que incluía dados da Monsanto e ignorava pesquisas independentes. Williams não comentou o episódio.

Contexto regulatório

O glifosato é aprovado por agências como EPA, Anvisa e outras, que mantêm a avaliação de que não há riscos comprovados em doses permitidas. Em 2015, a IARC classificou o químico como provavelmente cancerígeno, alimentando o debate público.

Posição da Bayer

A Bayer, que herdou a Monsanto, afirmou que o consenso regulatório global valida o uso seguro do glifosato conforme instruções. A empresa ressalva que não há evidências convincentes de carcinogenicidade nas doses usadas na agricultura.

Desdobramentos e continuidade

A retratação reacende a discussão sobre integridade científica, transparência de financiamentos e qualidade de revisões. O caso segue sem consequências legais diretas para os demais autores ou instituições envolvidas.

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