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Cemitério digital: Bangladesh vira porta de entrada do lixo eletrônico chinês?

Bangladesh pode virar depósito mundial de e-waste, com importações crescentes e falhas regulatórias, ameaçando saúde pública e ambiente

A worker separates the plastic covers from recovered wires from dismantled ships in Chattogram.
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  • Bangladesh importou e-waste e componentes elétricos no valor de cerca de US$ 700 mil nos últimos três anos (2022‑2024), segundo estudo da Transparency International Bangladesh.
  • O país teve importação ilegal estimada em 14.985 toneladas de e-waste no mesmo período, bem acima das 4.040 toneladas de placas de circuito impresso e sucatas exportadas, tornando-o importador líquido.
  • A maior parte dessas entradas envolve produtos originários da China, incluindo laptops e telefones recondicionados, muitas vezes rotulados como peças de reposição.
  • Regulamentação restrita, falhas de coordenação entre órgãos e fiscalização fraca dificultam a aplicação das regras de gestão de resíduos eletrônicos, de 2021.
  • Especialistas alertam que o país pode se tornar um terminal permanente para o descarte global de eletrônicos, enfatizando necessidade de responsabilidade do fabricante, cooperação entre DoE, CCIE e aduanas e criação de planta de reciclagem.

O Bangladesh enfrenta um aumento expressivo de resíduos eletrônicos, com fluxo vindo principalmente da China. A combinação de uma importação crescente, falhas regulatórias e rotas informais tem colocado o país como destino de e-waste global, mesmo após a adoção de regras de gestão de lixo perigoso em 2021.

Dados de importação indicam que mais de US$ 2,47 bilhões em aparelhos elétricos foram importados na temporada 2024-25, grande parte originária da China. Analistas apontam que grande parte desses itens entra por vias informais, dificultando o controle e a verificação de conformidade ambiental.

Em Dhaka, estudos apontam que cerca de 14.985 toneladas de e-waste teriam sido importadas ilegalmente entre 2022 e 2024, superando o envio de componentes recicláveis para exportação (4.040 toneladas). Especialistas alertam para estimativa de subdeclaração que mascara o real volume de entradas no país.

Panorama regulatório e operadores locais

Uma pesquisa do Transparency International Bangladesh indica que, desde a efetivação das regras de e-waste, o país ainda não consolidou um caminho claro para o setor informal de sucatas. A coordenação entre DoE e a Bangladesh Telecommunication Regulatory Commission é considerada insuficiente, mantendo traders fora da fiscalização ambiental.

Representantes oficiais apontam planos para criar uma planta de reciclagem de e-waste no Kaliakoir Hi-Tech Park, em Gazipur, com apoio do projeto BEST financiado pelo Banco Mundial. A meta inclui o estabelecimento de diretrizes de responsabilidade estendida do produtor, ainda em discussão.

Impactos sociais e de saúde

Estudos citados pela imprensa indicam riscos para trabalhadores informais, inclusive crianças, expostos a chumbo e cádmio. Relatórios projetam aumento de resíduos de painéis solares até 2060, ainda não enquadrados como e-waste pela lei atual, ampliando o desafio regulatório.

O cenário urbano revela que o gerenciamento formal de resíduos eletrônicos ainda não integra o e-waste aos sistemas municipais. Em Dhaka, a gestão de resíduos gerais tem avanços, mas a coleta e o descarte de eletrônicos dependem de redes informais de coleta e comércio.

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