- Em American Samoa, comunidades reafirmaram oposição à mineração em alto-mar e defenderam ouvir a população antes de decisões sobre o oceano que sustenta a região.
- O Escritório de Gestão de Recursos Oceânicos (BOEM) mostrou estar avançando com o processo de leasing federal, mesmo com críticas de consulta pública.
- O BOEM ampliou a área potencial de leasing, alegando faltar conhecimento suficiente sobre o que há no fundo do mar.
- Delegados das ilhas disseram que o oceano é sagrado e que qualquer decisão é permanente, destacando a falta de consentimento suficiente.
- No dia seguinte, a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos realizou audiência sobre mineração em alto-mar, com evidências de pressa, prioridade de permissões estáveis e dúvidas sobre monitoramento independente.
Na ilha de American Samoa, uma delegação de Greenpeace e parceiros das ilhas do Pacífico explicou, em estúdio de rádio, por que viajaram milhares de milhas para a pauta local de mineração de fundo do mar. A visita ocorreu a convite de líderes locais, diante de comunidades que temem os impactos ambientais e culturais.
Na véspera, a Bureau of Ocean Energy Management (BOEM) apresentou, a oficiais locais, o andamento de um processo federal de concessão de áreas para exploração. Mesmo com o espaço para a participação pública, a sensação entre os presentes foi de que a consulta era mais formalidade do que participação efetiva.
A delegação lembrou que o território não é parte integral dos EUA; a experiência, disseram, evidencia uma pressa que pode ignorar preocupações locais. O BOEM já recebeu mais de 76 mil comentários públicos, em grande parte contra os danos ambientais e culturais potenciais.
Processo em andamento
Os participantes observaram que American Samoa já estaria pela metade do caminho do processo de concessão, segundo o material de referência da BOEM. Perguntas centrais apontaram: haverá consulta pública antes de qualquer leilão? e se houver oposição, como reverter?
A agência manteve o tom de procedimento, não de consentimento. Passos futuros seriam difíceis de desfazer após a outorga, segundo especialistas ouvidos pela comitiva. Históricos judiciais indicam resistência a reverter concessões já expedidas para projetos de energia.
O debate na capital
No dia seguinte, o Congresso realizou audiência sobre mineração em alto-mar. Delegados das ilhas do Pacífico destacaram que a decisão é permanente e não pode ser revertida facilmente. A defesa da preservação ambiental foi apresentada como risco à cultura e à subsistência local.
O grupo ressaltou que a mineração é uma opção de longo prazo e que, segundo especialistas, não há capacidade de processamento doméstico para o material extraído. Observou-se ainda a necessidade de monitoramento independente, não confiado apenas às empresas.
Perspectivas e contexto
Autoridades lembraram que a mineração de nodulos polimetálicos envolve ecossistemas frágeis com impactos gerados ao longo de décadas. A BOEM também sinalizou, pouco após a visita a American Samoa, abertura de estudo para áreas de mineração no Alaska, ampliando o debate sobre segurança e avaliação ambiental.
A discussão em American Samoa é apresentada como um alerta sobre o equilíbrio entre exploração econômica e proteção de comunidades locais. A avaliação ambiental, cultural e econômica continua em curso, com diferentes veículos oficiais e legislativos em jogo.
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