- A crise entre EUA/Israel e Irã pode provocar queda de abastecimento não só de combustível, mas de fertilizantes e resinas usadas em embalagens de leite, afetando a indústria australiana.
- Produtores australianos estimam que, se a situação não se resolver em até algumas semanas, o disruption pode durar de seis a doze meses, dependendo da reabertura do estreito de Hormuz.
- Os preços do leite podem subir entre 30 e 50 centavos por litro no curto prazo, segundo a cooperação de laticínios Norco, apesar de faltas de leite serem consideradas menos prováveis.
- Custos de fertilizantes subiram bastante e entregas de diesel estão em risco, o que pode atrasar plantios e reduzir safras; plantas de leite da Norco já enfrentam cerca de 1 milhão de dólares a mais em combustível por mês.
- Outros setores, como frutas e verduras, enfrentam aumentos de custos de transporte e possíveis faltas de itens importados, com varejistas já ajustando preços e incentivos para consumo de produção local.
A crise derivada da escalada entre EUA, Israel e Irã pode elevar os preços de itens do dia a dia na Austrália nos próximos meses, afetando produtores locais e cadeias de abastecimento. Segundo o CEO da cooperativa de laticínios Norco, Michael Hampson, o cenário pode gerar interrupções de seis a doze meses, dependendo da reabertura do estreito de Hormuz e da estabilização de cadeias petroquímicas globais. Caso não haja resolução rápida, a repercussão pode ser mais acentuada que a preocupação com a Covid, afirma.
A produção de leite pode sofrer com aumentos de curto prazo, estimando-se altas de 30 a 50 centavos por litro. Produtores já enfrentam custos mais elevados com fertilizantes — alguns com o preço mais que dobrando desde o início da crise — e dificuldades com entregas de diesel, o que compromete plantio e prazos. As fábricas de leite da Norco já registram um acréscimo de cerca de US$ 1 milhão em despesas com combustível por mês.
Impactos na cadeia de suprimentos
Especialistas apontam que itens de embalagem, como garrafas de leite, podem ficar escassos por uso de resinas derivadas de petroquímicos. Sem fluxo adequado das cadeias globais, o abastecimento de plásticos pode ficar comprometido, elevando o custo do produto final independentemente do preço de fábrica. A situação também envolve custos de frete que afetam toda a indústria regional.
Impactos setoriais na alimentação
No setor de frutas e verduras, a janela de colheita de maçãs coincide com a crise, o que aumenta a apreensão entre produtores. O transporte de frutos já registra удumento de custos, estimado em cifras próximas ao dobro dos valores pré-crise. Agricultores sinalizam que os custos devem ser repassados ao consumidor, ainda que o volume disponível possa oscilar.
Outros segmentos agrícolas também enfrentam pressão. O setor de bananas aponta que, mesmo com redução de preços no varejo por parte dos lojistas, a queda é insustentável diante do aumento de insumos, como combustível, fertilizante e logística. Vendedores de mercados rurais relatam que produtores devem adaptar a oferta aos estoques disponíveis ou enfrentar preços elevados.
Mensagens de adaptação e consumo local
Organizações de produtores recomendam que os consumidores priorizem produtos locais e sazonais, reduzindo compras de itens menos disponíveis. A orientação busca manter o abastecimento enquanto as cadeias se ajustam. A crise é apresentada como um desafio de curto a médio prazo, com impactos ainda incertos sobre o preço final ao consumidor.
Entre na conversa da comunidade