- Analistas prevêem safra recorde de café no Brasil, o que pode levar a uma queda nos preços, com projeção de US$ 1,8 por libra-peso neste ano.
- A discussão surgiu na convenção anual da National Coffee Association, em Tampa, na Flórida, ao comparar o café com o cacao.
- O cacau atingiu máximo histórico em dezembro de 2024, mas caiu mais de 70% desde então, influenciando expectativas sobre o café.
- Mesmo com a safra brasileira vir a aumentar a oferta, a demanda de café permanece estável e tende a reagir apenas com queda de preços.
- Agricultores brasileiros, diz-se, estão bem capitalizados e devem vender gradualmente, mantendo parte da produção para reabastecer estoques.
A expectativa de safra recorde no Brasil para o café pode pressionar os preços para baixo, segundo analistas ouvidos na convenção anual da National Coffee Association, realizada na semana passada em Tampa, nos EUA. O avanço da produção brasileira é apontado como principaldriver para a queda prevista.
Especialistas comparam o cenário do café ao do cacau, que perdeu mais de 70% após máximas históricas em 2024. A ideia é de que, assim como o cacau recuou, o café arábica possa seguir trajetória de alta inicial e recuar à frente do segundo semestre. A projeção de queda já é debatida entre traders e produtores.
Para o corte de custos, o estudo da NCA com mil pessoas nos EUA mostra que muitos consumidores reduziram visitas a cafeterias e passaram a consumir em casa. Ainda assim, o consumo total não caiu, segundo a entidade.
Mercado e previsões
- Alguns analistas estimam que o café em Nova York caia para US$ 1,80 por libra-peso neste ano, frente a um fechamento recente acima de US$ 2,90.
- A dinâmica de oferta reforça a visão de que o Brasil, maior produtor, deve manter volumes no mercado para reabastecer estoques, o que favorece pressões de baixa.
Perspectivas de demanda
- O Rabobank aponta que a demanda permanece estável em 2025, sem crescimento expressivo, mas sinaliza recuperação em 2026 com alta de cerca de 2%.
- A expectativa de os preços voltarem a favorecer o consumidor é mencionada por analistas, que veem maior elasticidade da demanda em cenários de preços mais baixos.
Participação de players e impactos
- O mercado de café de Nova York deve responder a recortes de preço com ajustes na oferta de diferentes origens, incluindo Colombia e América Central, que perdem participação para grãos robusta de custo menor.
- Cleber Castro, representante de várias fazendas brasileiras, afirma que a safra recorde não assegura alívio imediato aos preços, pois agricultores podem vender aos poucos para reabastecer estoques.
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