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Por que tantos projetos de restauração de manguezais falham

Quase setenta por cento dos projetos de restauração de manguezais falham pela execução, depende de hidrologia, renda local e apoio de longo prazo

A local woman caring for mangrove saplings at Seatrees and COBEC’s nursery in Mida Creek, Kenya. Image courtesy of Seatrees.
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  • Aproximadamente 70% dos projetos de restauração de manguezais enfrentam dificuldades para estabelecer florestas saudáveis, com mudas morrendo e áreas alagadas de forma inadequada.
  • O problema não é entusiasmo, mas a execução: muitos trabalhos são realizados por grupos comunitários com renda limitada, acesso a capital e apoio técnico insuficiente.
  • O sucesso depende de condições sociais e econômicas, incluindo posse da terra, meios de subsistência e incentivos para proteger áreas restauradas após o plantio.
  • Organizações como a Seatrees atuam como intermediárias, financiando, orientando tecnicamente e monitorando projetos apresentando parcerias com comunidades e partes indígenas.
  • Além do plantio, é essencial monitorar a sobrevivência das mudas por pelo menos dois anos e manter fontes de renda alternativas para evitar desmatamento futuro, tornando a restauração mais sustentável.

Manguezais são vistos como solução em clima e conservação, pois capturam carbono, reduzem ressurgências de tempestades e apoiam pesca. Ainda assim, muitos projetos enfrentam resultados aquém das expectativas, especialmente na Ásia-Pacífico e América Latina.

A explicação não está na vontade: está na execução. Grande parte da restauração é feita por grupos comunitários com conhecimento local, porém com acesso limitado a capital, orientação técnica e suporte de longo prazo.

Pesquisadores ressaltam que o sucesso depende de condições sociais e econômicas tanto quanto de técnicas de plantio. As marés precisam inundar as áreas por poucas horas, além de considerações como posse da terra, meios de subsistência e incentivos para proteger as áreas restauradas.

Entre as iniciativas emergentes, destaca-se a Seatrees, que não executa projetos diretamente, mas financia e orienta parceiros locais, com monitoramento e comunicação. Nos últimos cinco anos, a organização apoiou trabalhos no Quênia, México, Indonésia e Flórida.

O modelo é seletivo: busca grupos com experiência e legitimidade local, mas com lacunas de capacidade. Em Kaênda, parcerias combinam plantio com restauração de hidrologia, viveiros e pagamento a comunidades para vigiar as florestas, fortalecendo a continuidade.

Pagamentos via subsídios ligados a mudas costumam ser reinvestidos em apicultura, ecoturismo ou pecuária, gerando fontes de renda que persistem mesmo com a queda do ritmo de plantio, reduzindo pressão para derrubar manguezais.

O monitoramento é diferencial. Seatrees acompanha a sobrevivência de mudas por pelo menos dois anos e ajusta estratégias quando necessário. Em Kaênda, taxas de sobrevivência variam entre 50% e 80%, segundo a organização.

Relatos de comunidades trazem problemas não resolvidos, como logging ilegal. A transparência, mesmo com resultados mistos, ajuda a manter alinhados parceiros e financiadores, sem avaliações simplistas sobre o desempenho.

A lição prática para gestores é clara: restauração de manguezais não é apenas plantar. Hidrologia, renda local, monitoramento e comunicação honesta são essenciais para a sustentabilidade, especialmente após o plantio inicial.

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