- A Oncoclínicas vive o momento mais delicado desde o IPO, com a ação caindo de R$ 19,75 para menos de R$ 1,20 e a pressão de uma OPA pelos minoritários que chegou ao Colegiado da CVM.
- A Centaurus Brazil Holdings ultrapassou 15% do capital, o que, pela cláusula estatutária, obriga a empresa a abrir uma OPA; a luta envolve Latache, Geribá Participações, MAC Capital e Fundo Lumen, com Centaurus e Goldman Sachs resistindo.
- O balanço do primeiro trimestre apontou EBITDA ajustado negativo de R$ 68 milhões, contrastando com a previsão de alta; o mercado viu o resultado como sinal de fragilidade.
- A dívida líquida chegou a R$ 3,27 bilhões em março, com alavancagem de 5,2 vezes o EBITDA ajustado, e o fluxo de caixa operacional ficou negativo em R$ 153 milhões.
- No curto prazo, a receita bruta foi de R$ 1,5 bilhão no trimestre, o ticket médio ficou em R$ 10.585, e houve provisões de R$ 119 milhões e R$ 148,3 milhões relacionadas a questões de crédito e estoques, acompanhando planos de readequação com credores.
A Oncoclínicas vive seu momento mais delicado desde a abertura de capital, em 2021. A ação caiu de R$ 19,75 para pouco acima de R$ 1,20, enquanto um balanço do 1º tri e uma disputa societária ganham força. O tema da OPA envolvendo minoritários ganhou o aval da CVM para julgamento.
A controvérsia envolve a Centaurus Brazil Holdings, que ultrapassou 15% do capital, limite obrigatório para lançar uma oferta de aquisição aos demais sócios. Embora as partes não reconheçam a obrigação, os minoritários acionaram a CVM, que levou o caso a julgamento no Colegiado.
Na mesma linha, o balanço do 1º tri aponta fragilidade financeira. O EBITDA ajustado ficou negativo em 68 milhões de reais, frente a expectativa de 214 milhões de lucro. Analistas destacam dificuldades de receita e pressões de caixa.
Situação de OPA e controle
O grupo minoritário é liderado pela Latache, com participação de 14,62% e presença forte no conselho, enquanto Geribá Participações, MAC Capital e Fundo Lumen também apoiam a pressão. Do lado oposto, Centaurus e Goldman Sachs resistem, apoiados por escritório de advocacy e pareceres jurídicos.
A decisão de OPA, conforme estatuto, implicaria pagamento próximo de 16 reais por ação, chegando a um desembolso estimado de cerca de 6 bilhões de reais. A avaliação contrasta com o preço de mercado atual, reforçando o peso da disputa.
Em março, a Oncoclínicas admitiu atrasos no fornecimento de medicamentos, com impactos em quimioterapia, radioterapia e imunoterapia. Direitos de pacientes à assistência foram alvo de ações judiciais para assegurar remédios.
Desempenho financeiro e medidas operacionais
No balanço do trimestre, a receita bruta atingiu 1,5 bilhão de reais; nos 12 meses, soma 6,1 bilhões. O ticket médio por procedimento subiu 14,3%, para 10.585 reais, segundo a empresa.
A dívida líquida, incluindo ativos de fusões e aquisições, alcançou 3,27 bilhões de reais, com alavancagem de 5,2 vezes o EBITDA ajustado. O fluxo de caixa operacional ficou negativo, em 153 milhões de reais.
Como resposta, a companhia afirmou ter intensificado medidas de gestão para preservar liquidez, manter atendimento aos pacientes e readequar o capital. Conversas com credores foram iniciadas para ajustar o perfil de amortização.
Perspectivas e próximos passos
O Itaú/BBA e o BTG Pactual mantêm visões neutras, com projeções dependentes do desfecho da disputa com os minoritários e da recuperação operacional. A avaliação de risco de continuidade também tem sido destacada pelos auditores, acrescentando incerteza ao cenário.
Na esfera externa, corre nos EUA uma produção de provas contra o Goldman Sachs sobre a descrição da participação no IPO de 2021. Mesmo eventual resultado favorável aos minoritários não implica automaticamente solução para a execução da OPA no Brasil.
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