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Crise da Raízen expõe limites do ciclo de investimentos em etanol

Raízen enfrenta reestruturação de dívida de 65 bilhões de reais, revelando limites do ciclo de investimentos em etanol, com o milho ganhando espaço

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  • A Raízen, joint venture entre Shell e Cosan, tenta reestruturar dívida de cerca de R$ 65 bilhões, diante do arrefecimento do interesse pelo etanol.
  • A Cosan saiu das negociações de capital, e pode ter participação diluída após discordâncias sobre a divisão do negócio de distribuição da unidade de etanol.
  • O setor enfrenta desafios de rentabilidade: o etanol de milho ganha espaço, com exportações não suficientes para absorber a oferta.
  • A Vibra Energia encerrou parceria com Copersucar, sinalizando menor peso do etanol de cana na estratégia de grandes distribuidoras.
  • A Conab aponta que, nesta safra, até 28% do etanol brasileiro deverá sair do milho, contra 21% no ano anterior, aumentando a concorrência entre os dois tipos.

A Raízen, joint venture entre Shell e Cosan, enfrenta uma crise de crédito com um acordo de reestruturação de dívida estimado em cerca de R$ 65 bilhões. A operação envolve a maior fornecedora de biocombustíveis do Brasil, gerando impactos na parceria entre a petrolífera e o grupo brasileiro.

A Cosan acompanhou as negociações de perto e pode ter sua participação diluída, após divergências sobre a divisão da unidade de distribuição de combustível da área que produz etanol. O processo revela o fim de uma era de grandes investimentos no setor.

O Brasil é o segundo maior produtor de etanol, atrás dos EUA, e a atual tensão financeira da Raízen expõe limites do ciclo de investimentos em biocombustíveis no país. O cenário reflete a expectativa de lucros de projetos globais de redução de emissões não se materializando.

A queda da atratividade financeira decorre de custos elevados, juros persistentes e controvérsias sobre a viabilidade de projetos apoiados por tecnologia de resíduos da cana. A empresa alega um lapso entre altas despesas financeiras e receitas geradas.

Contexto setorial

A produção de etanol por milho começa a ganhar espaço no Brasil, pressionando preços internos e pressionando margens de produtores. A expansão do etanol de milho intensifica a competição com o cana-de-açúcar utilizado pela Raízen.

Mercados internacionais também influenciam o setor. Tarifas dos EUA, restrições da Europa e políticas de apoio a alimentos limitam a expansão das exportações e reduzem o apetite de investidores estrangeiros.

A Vibra Energia encerrou parceria com Copersucar no final do ano passado, sinalizando mudanças no parque de distribuição e na estratégia de fontes de biocombustíveis. A decisão ocorreu em meio ao crescimento do etanol de milho.

Programa de crescimento no setor de biocombustíveis enfrenta desafios de demanda e competição entre etanol de cana e milho, com perspectivas de maior disputa entre as duas fontes a partir de 2026.

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