- O proprietário americano da planta Wilton, em Teesside, diz que fechará o site se os preços de energia permanecerem altos pelos próximos três meses, e ele passará a importar produtos da China ou dos EUA.
- A fábrica, que emprega cerca de oitenta pessoas, produz anilina, químico utilizado em componentes de carros e aeronaves, e é uma das últimas unidades da antiga Imperial Chemical Industries no Reino Unido.
- Os preços de gás subiram devido ao conflito no Irã, atingindo fortemente a indústria pesada europeia.
- A Huntsman Corporation já cortou nearly 500 empregos no ano anterior e fechou sete instalações por conta dos custos energéticos; o Reino Unido tem perdido produtores domésticos importantes.
- O governo britânico afirma acompanhar a situação e buscar soluções para reduzir tarifas de energia, enquanto o executivo critica a política energética pela falta de incentivos à indústria.
O dono americano de uma das últimas grandes plantas químicas da Grã-Bretanha avisou que vai fechar o site de Wilton, em Teesside, se os preços de energia permanecerem elevados pelos próximos três meses. A afirmação foi feita por Peter Huntsman, líder da Huntsman Corporation, após o recente aumento do gás impulsionado por conflitos no Irã.
A fábrica de Wilton emprega cerca de 80 pessoas e produz anilina, insumo utilizado em componentes de carros e aeronaves, entre outros. A planta representa uma das últimas unidades do antigo império industrial da ICI, núcleo histórico da indústria química britânica.
Segundo Huntsman, se o cenário econômico se mantiver, a empresa importará produtos da China ou dos Estados Unidos. Ele apontou que a situação atual torna o custo de produção no Reino Unido o mais alto do mundo, afetando fortemente sua competitividade.
A Huntsman Corporation atua globalmente, com unidades nos EUA, Europa, Sudeste Asiático e Oriente Médio. Ao longo do último ano, a empresa já havia reduzido quase 10% de sua força global, com o maior recuo na Europa, e fechou sete instalações em razão dos custos de energia elevados.
A situação na Europa contrasta com operações no exterior, onde os custos de energia não atingem o mesmo nível. Em outros polos, a empresa continua a investir, mas o Reino Unido permanece vulnerável a mercados de gás internacionais, que atingiram picos históricos desde a invasão russa da Ucrânia.
O temor de fechamento de plantas em território europeu acompanha declarações de outros magnatas do setor químico, com anúncios de salvaguardas governamentais em alguns casos, como o suporte financeiro a uma unidade de etileno do Reino Unido. A indústria avança com queda de produção e fechamento de unidades desde 2021.
Especialistas apontam que a redução de produção de fertilizantes e químicos no Reino Unido levanta dúvidas sobre capacidade soberana em setores de defesa e alimentação. A agência setorial registra perdas de atividade e migração de investimentos para outras regiões.
A empresa afirma que a crise energética é estrutural e que políticas públicas não têm proporcionado alívio suficiente para a indústria. O governo informou que trabalha para reduzir contas de energia com fontes próprias, mantendo diálogo com o setor para buscar soluções.
O contexto aponta para um cenário de pressões contínuas sobre a indústria química britânica, pressionada por custos de energia elevados, demanda global instável e ajustes de produção. A situação de Wilton serve como indicador do que pode ocorrer em outras plantas do país.
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