- Luyu Zhang, CEO da startup de IA Dify, deixou a China e mudou-se para Menlo Park, nos EUA, para competir no Vale do Silício.
- A Dify oferece uma ferramenta para desenvolvedores criarem aplicações de IA por meio de uma interface, tem 100 funcionários e atende mais de 280 clientes corporativos, como Volvo e Novartis, figurar entre os repositórios mais estrelados do GitHub.
- Zhang captou 30 milhões de dólares em rodada liderada pela HSG (antiga Sequoia Capital China) e pelos fundos Hillhouse Capital, 5Y Capital e Mizuho Leaguer Investment, com avaliação de 180 milhões de dólares.
- A empresa mantém o núcleo técnico na China, onde fica a equipe de engenharia de código aberto (60 pessoas), e amplia operações no exterior, incluindo a Baía de São Francisco e Tóquio.
- Cresce o movimento de empreendedores chineses rumo aos EUA para negócios globais em IA, em meio a tensões entre Washington e Pequim e a debates sobre controles de exportação de tecnologia.
Luyu Zhang, CEO da startup de IA Dify, deixou a China no ano passado e aportou no Vale do Silício. O executivo busca expandir a empresa apesar de controles de exportação de chips avançados e de um ambiente de desconfiança entre EUA e China. Zhang fala pouco inglês e prefere focar no trabalho.
A Dify oferece uma interface para desenvolvedores criarem aplicações de IA sem escrever grande parte de código. A empresa tem 100 funcionários, atende mais de 280 clientes corporativos e ocupa a 52ª posição entre repositórios de código aberto no GitHub. O estágio atual é lucrativo.
Trajetória e estratégia
Zhang cresceu em Anhui e abandonou a escola ainda jovem para seguir a programação. Em 2018, assumiu liderança de produto na Tencent. Em 2022 criou a Dify, visando facilitar IA em larga escala com menos dependência de equipes de codificação.
A empresa captou US$ 30 milhões em uma rodada liderada por fundos asiáticos e pela antiga Sequoia China. O valor levou a avaliação a US$ 180 milhões, segundo fontes do setor. A meta é competir globalmente a partir do Vale do Silício.
Desafios e contexto regulatório
Segundo Zhang, a estratégia é ter origem na China e operação no exterior para construir uma infraestrutura de IA global. Autoridades dos EUA e da China discutem riscos de transferência de tecnologia, especialmente em IA sensível. A Dify utiliza software de código aberto com servidores dos clientes.
Alguns investidores ainda evitam startups com capital chinês, e o debate envolve segurança nacional. Ainda assim, Zhang afirma que nem todos os produtos representam os mesmos riscos, apontando a natureza essencialmente descentralizada de sua solução.
Imigração e ecossistema
Zhang relata conhecer dezenas de fundadores chineses que planejam migrar para os EUA. Investidores como a ex-chefe de produto do Alibaba destacam o movimento como parte de um ecossistema que busca novas bases de atuação fora da China.
No Vale do Silício, há casos de startups com bem-sucedida estratégia híbrida, mantendo núcleo técnico na China e operações comerciais no exterior. Outras optam por transferir operações integralmente para fora do país.
Perspectivas para o futuro
O movimento de empreendedores chineses para os EUA ganha impulso conforme o capital estrangeiro recua na China. Em paralelo, o Vale do Silício permanece como polo de talento, capital e ambição em IA, segundo analistas e investidores do setor.
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