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Cade aprova aumento da participação da United na Azul

Cade aprova aumento da participação da United na Azul para cerca de 8% com aporte de 100 milhões de dólares, impondo salvaguardas de governança e alertas sobre novas entradas

Foto: Tony Winston/Ministério da Saúde
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  • Cade aprovou o aumento da participação da United Airlines na Azul de 2,02% para cerca de 8%, com injeção de 100 milhões de dólares.
  • A operação ocorre no contexto da recuperação da Azul nos Estados Unidos, sob Chapter 11, que permite renegociação de dívidas e reorganização supervisionada.
  • O IPSConsumo recorreu, mas o Cade manteve a decisão com compromissos de governança e compliance; o novo Estatuto Social da Azul prevê salvaguardas contra acesso a informações sensíveis.
  • A participação da United não impede eventual entrada da American Airlines; caso ocorra, poderá exigir nova análise aprofundada pelo Cade.
  • O plano de recuperação da Azul prevê captar no mínimo 850 milhões de dólares, sendo 750 milhões aportados por credores e 100 milhões pela United, para retomar operações e ampliar voos.

O Cade aprovou nesta quarta-feira 11 a elevação da participação minoritária da United Airlines na Azul para aproximadamente 8% do capital social. A decisão, unânime, autoriza a injeção de 100 milhões de dólares pela United, como parte do processo de reestruturação da Azul nos Estados Unidos sob Chapter 11.

O acordo ocorre no contexto da recuperação da Azul, que busca reorganizar dívidas e operações. A operação integra o Chapter 11, que permite renegociação com supervisão judicial, mantendo atividades em funcionamento. A aprovação inicial ocorreu em dezembro, sem preocupações concorrenciais, mas foi levada a julgamento após recurso do IPSConsumo.

Compromissos e governança

O relator do Cade, conselheiro Diogo Thomson, manteve a posição de aprovação sem restrições formais, destacando a necessidade de governança rígida e compliance. O novo Estatuto Social da Azul deve trazer salvaguardas para restringir acesso a informações sensíveis e evitar conflitos de interesse.

Segundo a avaliação técnica, as salvaguardas mitigam riscos de compartilhamento de informações sensíveis entre Azul e os novos acionistas. Ainda assim, o Cade deixou claro que alterações relevantes na participação ou na governança deverão ser submetidas novamente à análise.

Cenário concorrencial e observações do IPSConsumo

O IPSConsumo indicou que a operação deveria ter considerado eventuais negócios com a American Airlines, dados os vínculos no Chapter 11. O instituto apontou riscos potenciais para a concorrência, ligados à participação da United na Azul e na Abra, controladora da Gol.

O relator acrescentou que não é obrigatório um registro conjunto quando os negócios não estão no mesmo estágio ou envolvem instrumentos distintos, desde que informados ao Cade. A entrada futura da American Airlines no capital da Azul é citada como possibilidade que exigiria nova avaliação.

Recuperação e impactos esperados

A Azul destaca que atrasos na análise podem trazer riscos à saúde financeira e à continuidade operacional. O plano de recuperação, iniciado em maio de 2025, prevê captar pelo menos 850 milhões de dólares para sair do Chapter 11, com 750 milhões dos credores e 100 milhões da United.

A conclusão do processo deve permitir o restabelecimento da capacidade operacional e ampliar a oferta de voos, domésticos e internacionais, fortalecendo a concorrência no setor aéreo brasileiro. A operação está condicionada ao cumprimento de compromissos de governança e compliance.

Observação final

O Cade ressalta que qualquer alteração relevante no cenário ou descumprimento dos compromissos pode levar à reavaliação da decisão. A aprovação depende ainda da formalização de pontos do acordo no Estatuto Social da Azul.

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