- O custo diário do governo para manter a British Steel em operação em Scunthorpe ultrapassa £ 1,2 milhão, desde que Jingye continua como proprietária legal.
- O governo revelouto em documento parlamentar que já foram gastos £ 359 milhões, mas o valor pode crescer nos próximos meses.
- Ainda não há acordo sobre o futuro das fornalhas de alto forno e dos laminados no complexo de North Lincolnshire nem sobre os 4 mil trabalhadores.
- Jingye, apesar de ter comprado a British Steel em 2020, permanece como proprietária legal, com relatos de resistência a abrir mão da propriedade.
- O governo busca uma solução de longo prazo, incluindo possível combinação com a SSUK (antiga Liberty Steel UK) e eventual transição para fornos arco elétrico, mantendo empregos, mas reconhece que o caminho pode levar anos.
O governo mantém o controle indireto da British Steel, em Scunthorpe, enquanto avalia opções para o futuro da planta. Mesmo com a intervenção estatal, o custo diário de sustentação das operações ultrapassa £1,2 milhão. A instituição do apoio público ocorreu após o proprietário chinês Jingye anunciar planos de fechamento da siderúrgia.
O montante público já divulgado de £359 milhões representa o custo registrado até o último mês, mas autoridades alertam que esse valor tende a aumentar no curto prazo. A função do governo é manter em funcionamento as usinas de fornos de redução, enquanto definem um caminho estável para a produção de aço na região de North Lincolnshire, que emprega cerca de 4 mil trabalhadores.
Jingye detém a propriedade legal da British Steel desde 2020, mesmo sem controle operacional. A empresa poderia exigir até £1 bilhão como compensação para abrir mão da titularidade, um valor visto como improvável diante da rentabilidade da planta. A gestão pública já concedeu, em 2022, um subsídio de £120 milhões para evitar impacto econômico na região de Scunthorpe.
Desdobramentos e opções
Oficiais sinalizam cautela quanto a expropriação, pois medidas mais invasivas podem afastar investidores. Um relatório de avaliação sobre o projeto de lei de intervenção destacou que medidas mais severas podem provocar críticas diplomáticas ou distorção de mercado. Enquanto isso, negociações com Jingye seguem, sem confirmação de um comprador futuro.
Há especulações sobre uma possível solução integrada com a Speciality Steel UK (SSUK), indústria de acadeamento em South Yorkshire que enfrentou administração. A ideia é manter um único comprador para British Steel e SSUK, com o parque de fornos elétricos substituindo os fornos a carvão. A transição poderia preservar parte dos empregos, principalmente na usinagem de aços longos, mas o número de trabalhadores tende a cair ao longo do tempo.
Contexto setorial
A indústria siderúrgica britânica passa por longo período de retração, com queda na produção de aço de 28 milhões de toneladas em 1970 para cerca de 2,5 milhões em 2024. O fechamento de Port Talbot, ligado à transição para fornos elétricos, foi um marco recente. O governo também controla os fornos de arco em SSUK para gerir o processo de recuperação da cadeia siderúrgica nacional.
Especialistas divergem sobre qual tecnologia manter. Alguns defendem arcos elétricos como mais resilientes, dada a abundância de sucata, enquanto outros recomendam manter parte da capacidade de produção de ferro gusa para evitar dependência externa. Um estudo técnico aponta que a decisão deve considerar estratégias diversas de redução de minério de ferro.
Perspectivas
Analistas indicam que o custo atual pode continuar a subir se a prioridade for manter fornos ativos e a cadeia de fornecimento de ferro para obras públicas. Em meio ao impasse, o governo mantém uma estratégia de “preservar a capacidade de produção” enquanto busca um acordo viável com Jingye e possíveis compradores. Não há prazo definido para uma solução definitiva.
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