- DaGrosa Capital Partners, com sede em Miami, inicia 2026 com US$ 2,5 bilhões em novos projetos, cerca de 90% em real estate.
- Antônio Primo, sócio sênior, atua como co-líder das aquisições e da gestão de empresas do portfólio.
- Kempinski Residences Miami Design District deve entregar em 2029, com VGV de US$ 740 milhões, marcando a estreia da Kempinski no mercado residencial dos EUA.
- Em Coral Gables, terreno de US$ 38 milhões dará origem a projeto com VGV estimado em US$ 450 milhões; há ainda um novo empreendimento superior a US$ 200 milhões, ainda sigiloso, com ligação ao público brasileiro.
- A estratégia contempla ligação com o Brasil para captar fluxos de capitais; parceria com a família Zabo fortalece as operações, enquanto a DaGrosa expande para galpões industriais de US$ 560 milhões em Michigan e Ohio.
A DaGrosa Capital Partners, firma de investimentos imobiliários com sede em Miami, fecha 2026 com US$ 2,5 bilhões em novos projetos, predominantly no real estate. A estratégia combina leitura macroeconômica, execução local e relacionamento com investidores internacionais, segundo levantamento da empresa.
Antônio Primo, sócio sênior da DaGrosa, atua como co-líder das iniciativas de aquisição, incluindo prospecção, due diligence e gestão das empresas do portfólio. Primo chegou à Flórida aos dois anos e construiu sua carreira nos Estados Unidos, onde vive há 42 anos.
A visão de Primo para Miami aponta para uma cidade em transformação, com grandes empresas trazendo operações para o mercado local e ampliando o ciclo de desenvolvimento imobiliário na região. A dupla gestão da DaGrosa reforça esse reposicionamento estratégico.
Inflexão estratégica
A DaGrosa, fundada por Joseph DaGrosa, ampliou a exposição a real estate, que hoje representa cerca de 70% do portfólio. A entrada de Primo no negócio ocorreu por volta de 2015, com investimentos paralelos já realizados por family offices dos envolvidos.
Segundo Primo, a origem de deals proprietários, a alavancagem e as taxas do passado ficaram mais difíceis. No real estate, ele destaca, o ativo é mais compreensível para financiadores, o capital flui com menor assimetria de informações.
Kempinski Residences Miami Design District, projeto de alto padrão com VGV estimado em US$ 740 milhões, marca a estreia da Kempinski no mercado residencial americano, com entrega prevista para 2029. O empreendimento terá hotelaria cinco estrelas e localização privilegiada.
A escolha de endereço reflete a filosofia da empresa: local certo, produto adequado reduzem o downside. O terreno envolveu oito lotes de três vendedores, adquirido com base no conhecimento de décadas na região.
Outro ativo importante fica em Coral Gables, centro financeiro da área, onde terreno adquirido por US$ 38 milhões resultará em projeto com VGV de US$ 450 milhões, mantendo o foco em áreas consolidadas com forte presença corporativa.
A gestora trabalha ainda em um projeto com VGV superior a US$ 200 milhões, ainda sob sigilo, ligado ao público brasileiro. Primo adianta que será de grande impacto para Miami, sem apresentar detalhes.
Ponte Miami-Brasil
A relação com o Brasil é central para a estratégia da DaGrosa, que busca capturar fluxo de capital brasileiro em 2026. Primo realizou 11 viagens ao Brasil em 2025 para fortalecer vínculos com investidores institucionais e incorporadoras.
Entre os resultados, surge a parceria com Rodrigo Zaborowsky, da Zabo Engenharia, de São Paulo. A família Zaborowsky se transforma em sócia em várias incorporações, unindo know-how de engenharia ao acesso a terrenos exclusivos da DaGrosa em Miami.
A relação com o Brasil evoluiu de investimento pontual para sociedade operacional, com Rodrigo integrando a gestora e a Zabo atuando em diversas operações.
Nova fase
Em 2023, cerca de 60% das transações acima de US$ 10 milhões em Miami ocorreram à vista, sinalizando solidez do segmento de ultra-luxo. Primo aponta que o comprador americano passa a sustentar o mercado.
Paralelamente, a DaGrosa expande ações para outras regiões, com portfólio de US$ 560 milhões em galpões industriais na Michigan e Ohio, aproveitando a reindustrialização dos EUA. A empresa vê demanda por ativos industriais e logísticos.
A vantagem competitiva está no acesso local e institucional, incluindo o ex-prefeito de Miami, Francis Suarez, como sócio. Primo ressalta que o conhecimento de mercado facilita identificar oportunidades antes do óbvio.
Comprovação da tese Miami
A cidade é apresentada como uma potência corporativa global pela chegada de grandes nomes, como Jeff Bezos e Ken Griffin, com investimentos expressivos em propriedades e infraestrutura. Primo cita a presença de US$ 1,5 bilhão em propriedades e US$ 2 bilhões na nova torre da Citadel em Miami.
Esses movimentos elevam o patamar do mercado de ultra-luxo, com residências atingindo valores próximos a 200 milhões de reais. A FIFA também consolidou presença local, com escritório de 10 mil m² em Coral Gables para transfers de funcionários de Zurique.
Primo afirma que tais investimentos criam compromissos de 20 a 30 anos, fortalecendo a economia local e reduzindo riscos de bolhas imobiliárias, com base no lastro econômico gerado pela presença corporativa global.
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