- O mercado de whisky escocês enfrenta excesso de oferta, com tarifas dos EUA e queda da demanda pesando sobre as destilarias.
- As vendas globais de scotch caíram 3% no primeiro semestre de 2025, terceiro ano consecutivo de declínio.
- As tarifas de exportação dos EUA, de 10% sobre o whisky do Reino Unido, continuam elevando custos para o setor, estimados em £4 milhões por semana pela Scotch Whisky Association (SWA).
- Grandes produtores reduziram a produção ou adiaram investimentos: a Diageo reduziu atividades em algumas destilarias e interrompeu operações em Roseisle Maltings até junho de 2026.
- Diversos fabricantes investem em armazenamento de estoque não vendido; a International Beverage gastou £ sieben milhões em seis armazéns para guardar 60 mil pipas.
O mercado de whiskies escoceses vive um momento de superprodução, com queda nas vendas e tarifas dos EUA pressionando as destilarias. Dados oficiais mostram recuo de 3% nas vendas globais de scotch no primeiro semestre de 2025, marcando o terceiro ano seguido de queda.
A situação é agravada pela incerteza em torno das tarifas impostas pelos EUA e pela redução no consumo de bebidas alcoólicas. O SWA estima que o setor perde cerca de £4 milhões por semana com tarifas sobre as importações britânicas.
As principais fabricantes adotam medidas para equilibrar oferta e demanda. A Diageo reduziu a produção em destilarias de malte, passando de sete para cinco dias de operação em algumas unidades, e interrompeu as atividades no Teaninich e no Roseisle Maltings até junho de 2026, com revisão de planos futuros.
Impactos e respostas setoriais
A rede de produção também monitora o impacto de tarifas, que segundo o SWA já geram perdas de quase £20 milhões mensais e mais de 1.000 empregos. Nos EUA, as vendas de scotch caíram 6% nos primeiros nove meses de 2025, pior que o recuo de 9% registrado em 2024, segundo IWSR.
Em paralelo, o consumo de álcool nos EUA apresenta tendência de retração, com pesquisas apontando o menor índice de consumo em décadas. Mesmo assim, o setor busca saídas criativas para manter o crescimento até o fim da década, segundo analistas da IWSR.
Alguns produtores ampliaram o espaço de armazenamento para acomodar volumes não vendidos. A International Beverage, dona das marcas Old Pulteney, Speyburn e Balblair, investiu £7 milhões em seis armazéns, aumentando a capacidade em cerca de 60 mil barris.
Nos Estados Unidos, outras destilarias reduziram a produção. A Jim Beam, controlada pela Suntory, anunciou paralisação completa de sua produção no Kentucky em 2026. Mesmo com o cenário adverso, o mercado de whisky continua mais resiliente do que o segmento de scotch, registrando crescimento de 3% no primeiro semestre segundo a IWSR.
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