- Laurence des Cars pediu demissão do cargo de diretora do Louvre e apresentou o documento ao presidente Emmanuel Macron, em meio a controvérsias após o roubo de joias em outubro e o escândalo de bilhetes.
- Macron elogiou a decisão como responsável, destacando a necessidade de estabilidade e de um novo compromisso com a segurança e a modernização do museu; a nomeação do substituto deve ocorrer no dia seguinte.
- Des Cars foi convidada a liderar uma missão de cooperação entre museus dos países do G7, sob a presidência francesa neste ano.
- Relatórios oficiais apontaram atrasos consideráveis na manutenção da infraestrutura do Louvre, com menos de três por cento do orçamento destinado a planos de segurança, enquanto o projeto Louvre New Renaissance, de cerca de € sixhundred sixty‑six milhões, seguia em frente.
- Os sindicatos dos trabalhadores pedem o abandono do Louvre New Renaissance e a priorização de obras técnicas básicas, num contexto de greves, vazamentos, fechamentos de salas e uma operação de bilhetes de longa duração.
Laurence des Cars anunciou hoje sua renúncia da direção do Museu do Louvre, em Paris, após uma série de controvérsias que se intensificaram desde o roubo de joias reais em outubro e os escândalos ligados à bilheteria. A decisão foi apresentada ao presidente Emmanuel Macron.
Macron elogiou a medida como um ato de responsabilidade, destacando a necessidade de estabilidade e de um novo compromisso com a segurança e a modernização do museu. A posse do novo diretor deve ocorrer na quarta-feira, dia 25 de fevereiro, conforme comunicado do Palácio do Eliseu.
Des Cars assume, temporariamente, uma missão de cooperação entre museus dos países do G7, sob a presidência da França neste ano. A expectativa é manter o foco na governança cultural e na gestão institucional do Louvre.
Contexto e desdobramentos
Relatórios oficiais apontaram atrasos consideráveis na manutenção da infraestrutura do Louvre, privilegiando política de eventos. Desde sua chegada em maio de 2021, menos de 3% do orçamento do museu foi gasto em planos de segurança contra furtos, incêndios ou inundações.
Sob o projeto Louvre New Renaissance, apoiado pelo então presidente Macron, foi anunciada uma nova entrada e uma galeria subterrânea em torno da Mona Lisa, com custo estimado de €666 milhões. Trabalhadores criticaram a pasta orçamentária e defenderam investimentos em obras básicas.
Paralelamente, sindicatos de trabalhadores exigiram a suspensão do projeto de renovação e a reallocação de recursos para obras técnicas essenciais, com estimativa de até €500 milhões. A isso se somaram várias greves e interrupções ao longo de dezembro.
Panorama recente e críticas
Na sequência do furto de outubro, houve relatos de vazamentos, fechamentos de salas e falhas estruturais. Um inquérito parlamentar crítico ao modelo de gestão foi aberto, com parlamentares afirmando que, em outro país, a diretora poderia deixar o cargo diante das falhas apontadas.
O caso também envolve denúncias de fraude em bilheteira, com investigações em andamento sobre desvio de receita. Enquanto isso, a direção do Louvre enfrentou pressão pública e política para conduzir mudanças profundas na segurança e na governança.
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