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Terceira Frente: China reativa capacidades militares de Mao

China retoma o Terceiro Frente, fortalecendo capacidade estratégica e estoque bélico, o que aumenta a tensão com os Estados Unidos

Interior of the former site of Hongguang instrument factory, build as part of Mao Zedong’s Third Front program to fortify China’s defences during the cold war. Photograph: Ding Gang/The Guardian
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  • O Terceiro Frente foi lançado por Mao Zedong, em 1964, para criar uma linha de defesa industrial remota no interior da China, com investimento de 200 bilhões de yuans e mobilização de 15 milhões de pessoas.
  • Fábricas ficavam em regiões montanhosas de Sichuan e em outras províncias, protegidas pela geografia, longe de possíveis invasões estrangeiras.
  • Após a morte de Mao e a melhoria das relações com o Ocidente, as instalações foram abandonadas na década de setenta; em 1985, Deng Xiaoping disse que não haveria guerra em longo prazo.
  • Hoje, diante de tensões com os Estados Unidos, o país volta a explorar o interior para fortalecer a defesa, com sinais de crescimento da capacidade nuclear próximo às antigas bases.
  • Em 2024, a liderança chinesa aprovou resolução para desenvolver o hinterland estratégico e manter planos de contingência industrial; especialistas veem retomada de aspectos da defesa nacional.

O artigo reconstroi a ideia do que ficou conhecido como a Terceira Frente, um programa militar secreto criado por Mao Tsé-Tung na China entre 1964 e 1980. O objetivo era deslocar a indústria de defesa para regiões remotas do interior, protegendo-a de ataques e imposições externas.

As fábricas de Sichuan e outras províncias montanhosas, já em ruínas, ilustram o alcance dessa estratégia. Jovens de várias regiões foram deslocados para erguer uma linha de defesa industrial, hoje tomada pela vegetação e pelo abandono.

O contexto histórico mostra que o projeto mobilizou cerca de 15 milhões de pessoas, com investimento governamental superior a 200 bilhões de yuans. O objetivo era criar uma defesa menos exposta aos invasores da costa leste.

Contexto histórico

A retomada da Terceira Frente ganha força em meio a tensões entre China e Estados Unidos. Dados de imagens de satélite sugerem avanço na construção de uma reserva nuclear próxima às antigas bases.

Quem envolve

As decisões são associadas ao governo chinês, sob a liderança de Xi Jinping, que reforçou a autossuficiência e a resiliência nacional. Pesquisadores apontam que o projeto atual usa regiões remotas para ampliar capacidade de defesa.

Quando e onde

As referências ao renascimento de planos de defesa aparecem a partir de julho de 2024, com foco nas regiões interioranas de Sichuan e outras províncias como Gansu e Ningxia, historicamente ligadas à Terceira Frente.

Por quê

Especialistas destacam que a motivação é assegurar planos de contingência para indústrias estratégicas e reduzir vulnerabilidade a choques externos. A reativação ocorre em meio a passos de militarização e afirmação regional.

Análise

Observadores apontam que a China vem fortalecendo a tríade entre defesa, tecnologia e indústria, buscando equilíbrio com os EUA. A ampliação de capacidades nucleares também se vincula à estratégia de defesa autônoma.

Impacto econômico e político

Embora o gasto militar ainda seja menor que o norte-americano, a diferença vem diminuindo. A China investe para reduzir dependência externa e fortalecer a indústria de defesa sob um prisma de autossuficiência.

Cenário contemporâneo

Críticos veem risco de uma escalada, mas o tom oficial enfatiza a defesa estratégica. A comparação com a era maoista ajuda a entender como o país busca consolidar poder militar sem abandonar o desenvolvimento econômico.

Fontes e referências

Relatos de historiadores e análises de Defesa tornam possível traçar o paralelo entre a Terceira Frente e as estratégias atuais de dissuasão. Observadores destacam a relação entre economia e segurança nacional.

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