- A Ucrânia está produzindo seus próprios mísseis de longo alcance devido à queda de estoques de armas.
- Entre os projetos estão o Fliamgo (Flamingo), com alcance de até 3.000 quilômetros e carga útil de até 1.150 quilos, e o Sapsan, um míssil balístico.
- A produção é liderada pela Fire Point, empresa de defesa de Kiev, já com produção seriada e expectativa de chegar a sete unidades por dia no final do verão.
- O Flamingo, com tecnologia de navegação por satélite resistente a interferências, já atingiu alvos além de Moscou, como o complexo de produção de Votkinsk, em fevereiro.
- Embora promissora, a iniciativa ainda enfrenta limites de custo, tempo e escala, afirmou especialistas, e não deve substituir rapidamente mísseis ocidentais de maior maturidade.
O conflito na Ucrânia ganhou um novo capítulo tecnológico: a produção doméstica de mísseis de longo alcance. Frente à escassez de armamentos, Kiev intensificou a fabricação de projéteis capazes de atingir alvos na Rússia, incluindo instalações industriais e alvos estratégicos a milhares de quilômetros de distância. A iniciativa envolve empresas do setor privado e apoio estatal.
A Fire Point, empresa de defesa de Kyiv, lidera o desenvolvimento de sistemas de satnav resistentes a interferências, além de mísseis conhecidos como Flamingos, com alcance de até 3.000 quilômetros e carga útil significativa. A produção serial já começou, em ritmo diário, com planos de ampliar a fábrica e a linha FP-9, para ampliar velocidade e precisão.
Em fevereiro, o Flamingo foi utilizado contra um complexo de produção de mísseis na região de Votkinsk, demonstrando capacidade de atingir instalações além de Moscou. A Fire Point expansiona a produção, buscando entregar várias unidades por dia até o verão, com planos de desenvolver um motor próprio para os foguetes.
Especialistas afirmam que, apesar de promissora, a tecnologia ucraniana ainda enfrenta dúvidas sobre desempenho, confiabilidade e integração com defesas de primeira linha. O custo unitário estimado fica abaixo de US$ 1 milhão, em comparação com mísseis ocidentais mais caros, o que facilita a escalabilidade.
Hilos de transparência cercam a Fire Point. A empresa, criada em 2022, cresceu rapidamente e já figura entre os principais contratados estatais para sistemas de ataque de longo alcance. Contudo, questões de financiamento, contratos e ligações com figuras do setor público alimentam debates sobre a origem dos recursos dedicados.
Especialistas destacam que a situação é dinâmica: mesmo com avanço significativo, ballisticidade exige investimentos pesados, testes extensos e uma base industrial resistente. A expectativa é de que o ritmo de produção aumente ao longo de 2026, sem, porém, equalizar o peso militar com a Rússia a curto prazo.
O panorama geral mostra uma Ucrânia investindo em autonomia tecnológica para provocar impacto limitado, mas relevante, no front. Enquanto a produção amadurece, cresce a necessidade de demonstrar consistência operacional e capacidade de sustentar projetos de alto custo e longo prazo.
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