- Quatro anos após a invasão russa, a guerra é percebida como um conflito de desgaste, com ataques persistentes à infraestrutura ucraniana e apoio ocidental ainda insuficiente para deter o conflito.
- O relato de dentro do país, feito por Francis Farrell, mostra exaustão generalizada, mas também determinação para continuar, apesar das dificuldades e da percepção de cansaço entre parceiros ocidentais.
- No front, a luta é de posição e o custo humano aumenta; estimativas do Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais apontam cerca de 1,2 milhão de baixas russas, até 325 mil mortes, e quase 600 mil militares ucranianos mortos, feridos ou desaparecidos. Zelenskyy reconheceu 55 mil baixas entre as forças ucranianas.
- Onda de controvérsias envolve Zelenskyy e o governo: a demissão de Andriy Yermak e episódios de corrupção abalaram a popularidade, mas muitos apoiam o presidente por liderar o esforço de guerra.
- Sobre um fim do conflito, há ceticismo: negociações são vistas como teatro diplomático para influenciar aliados; a demanda russa continua sendo a capitulação política e militar de Ucrânia, exigindo ação europeia alinhada com a realidade do conflito.
Hoje marca quatro anos desde a escalada da invasão russa a Kyiv, em que o presidente Vladimir Putin chamou o movimento de uma “operação militar especial”. O ataque inicial foi repelido, e o governo de Volodymyr Zelenskyy manteve-se firme para estruturar a defesa do país.
A reportagem de Francis Farrell, correspondente da Kyiv Independent, mergulha na percepção interna da guerra após quatro anos. O objetivo é esclarecer como a população enxerga o conflito hoje e quais pontos ainda não estão claros para leitores e líderes ocidentais.
O conflito é apresentado como uma guerra de desgaste, com avanços limitados por parte da Rússia em território já destabilizado e uma pressão constante sobre infraestruturas ucranianas, principalmente de energia. Apoios ocidentais, incluindo sanções e sistemas de defesa aérea, não impediram ataques.
Mudanças de tema e análise
A entrevista aborda como a visão externa difere da realidade no terreno. Em Kyiv, a energia tem ficado escassa, com apenas algumas horas de energia diárias em algumas áreas, e a distribuição de água e aquecimento depende do andar em que a pessoa reside.
O repórter sustenta que a percepção de uma guerra estável é enganosa. A frente não é estática e envolve alto risco para jornalistas, com drones russos alvejando zonas próximas ao front. A narrativa de um conflito em movimento lento é contraproducente para entender o que está em jogo.
Percepção pública e apoio internacional
Sobre o apoio dos Estados Unidos, as brasileiras leituras indicam que a eleição de um novo governo norte-americano alterou expectativas. A análise aponta que a guerra é vista como defesa de valores democráticos, o que influencia a confiança na liderança de Kyiv frente a Washington e a a Europa.
Zelenskyy mantém apoio interno ainda que enfrente crises de corrupção e descontentamento com a gestão de autoridades durante a guerra. A saída de Andriy Yermak, chefe de gabinete, foi citada como demonstração de prioridade ao país acima de lealdades pessoais.
Confronto humano e orçamento humano
O episódio da duração do conflito é acompanhado por um custo humano altíssimo. Estimativas do CSIS apontam prejuízos de mais de 1,2 milhão de baixas russas, com centenas de milhares de mortes entre militares ucranianos. Autoridades ucranianas não divulgaram números oficiais de forma equivalente.
Havia ceticismo sobre a possibilidade de acordos de paz. A leitura apresentada é de que as negociações tendem a ter função diplomática, buscando influenciar decisões de parceiros ocidentais, enquanto a demanda russa permanece a capitulação da Ucrânia.
Olhar para o futuro e cenários
O jornalista indica que o tema do fim do conflito não é simples, e que a cooperação europeia precisa enfrentar a realidade das ambições russas. A conclusão é que ações rápidas e alinhadas entre Europa e aliados são cruciais para transformar a dinâmica do conflito.
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