- Chefes militares britânico e alemão pedem ao público que aceite o “caso moral” de recomposição militar, diante da ameaça russa, em artigo conjunto publicado no Guardian e na Die Welt.
- Eles afirmam que a postura russa se deslocou para o oeste e que é necessária uma mudança de escala na defesa e na segurança europeias.
- Os líderes ressaltam que houve os maiores aumentos contínuos de gastos com defesa desde o fim da Guerra Fria e defendem uma “defesa para toda a sociedade”.
- Pesquisas indicam relutância do público britânico e alemão em aceitar custos econômicos para ampliar defesa, com menos apoio a cortes ou indicações de aumento de impostos para esse fim.
- Durante a Conferência de Munique, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, defendeu uma relação de defesa mais próxima entre Reino Unido e Europa, enquanto o chanceler alemão, Friedrich Merz, mencionou discussões sobre apoio nuclear francês e maior autonomia europeia em segurança.
Britain e Alemanha divulgaram um apelo conjunto à população para reconhecer o aparente caráter moral do rearmamento e a necessidade de preparar a defesa diante de uma possível agressão russa. A mensagem foi publicada após a Conferência de Segurança de Munique.
Os autores são o Air Chief Marshal Sir Richard Knighton, chefe de Defesa do Reino Unido, e o general Carsten Breuer, chefe da Defesa alemã. Eles afirmam que a postura russa se deslocou para o ocidente e que é necessária uma mudança profunda na defesa europeia.
O texto foi veiculado simultaneamente no Guardian, no Reino Unido, e na Die Welt, na Alemanha, tanto para explicar a origem dos aumentos de gasto militar quanto para justificar a responsabilidade de sustentar tais investimentos desde o fim da Guerra Fria.
Os militares destacam que a defesa não deve ser vista como provocação, mas como ação responsável para proteger cidadãos e manter a paz, em um contexto de ameaças crescentes. A dupla ressalta a urgência de uma conversa pública ampla sobre defesa.
Na avaliação deles, a Europa não pode depender de divisões internas, especialmente se a Rússia entender isso como fraqueza. A defesa integrada e o fortalecimento da indústria de defesa na região são itens centrais do debate.
O governo britânico tem sinalizado a intenção de reforçar a cooperação com a UE em aquisição e fabricação de equipamentos, com o objetivo de centralizar parte da defesa europeia. Um acordo de cooperação entre Reino Unido e Alemanha já está em vigor desde 2024.
No polo alemão, há pressão para cumprir promessas de crescimento econômico associadas ao aumento de gastos com defesa. O país mantém a presença de uma brigada de combate na unidade de fronteira leste da OTAN e ampliou a capacidade industrial para suprir as necessidades militares.
Críticos dentro da Europa expressam ceticismo sobre o impacto econômico de novas despesas militares, com sondagens variando entre apoio moderado e resistência a cortes em áreas sociais. Movimentos políticos também divergem quanto aos rumos de defesa.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, participou da abertura da conferência e destacou a importância de enfrentar a ameaça russa, defendendo uma estratégia de segurança europeia mais autossuficiente. Conversas com líderes de outros países foram divulgadas durante o evento.
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