- Anders Fogh Rasmussen, ex-secretário-geral da OTAN, diz que a Europa vive “estado de emergência de segurança” e que a Rússia poderia atacar um país da OTAN antes do fim da década.
- Em visita a Washington, ele pede acelerar a autonomia europeia em relação aos Estados Unidos e mobilizar economias para a produção militar, inclusive convertendo sobra de capacidade automotiva para armamentos.
- Afirmou que a paz em Ucrânia é improvável até junho e que a Rússia busca uma Ucrânia como estado vassalo; a intervenção dos EUA é incerta.
- A transferência de centros de comando da OTAN para a Europa é vista como positivo; para Rasmussen, a Europa precisa ampliar produção militar e reduzir dependência dos EUA.
- Critica a Espanha por não cumprir o compromisso de gasto de cinco por cento em defesa e alerta que, sem o artigo cinco, a OTAN corre risco de enfraquecer; citou o episódio com Groenlândia como exemplo de pressão americana que uniu a Europa.
Anders Fogh Rasmussen, ex-secretário-geral da OTAN, pediu que a Europa acelerasse sua autonomia estratégica em relação aos Estados Unidos. Em Washington, durante visitas ligadas à媒体 Lena e à preparação para a conferência de Munique, ele alertou sobre riscos de segurança na região.
Ele afirmou que o continente vive hoje um estado de emergência, com a possibilidade de a Rússia atacar países europeus ainda nesta década. A avaliação se baseia em exercícios militares e na percepção de lacunas na defesa europeia.
Rasmussen sugeriu que a Europa transforme o excesso de capacidade de produção industrial em equipamento militar. Em paralelo, destacou a necessidade de fortalecer a produção europeia de material estratégico e reduzir dependências externas.
O ex-líder da OTAN disse que a transferência de mando de centros conjuntos para Europa é uma tendência positiva, indicando maior responsabilidade europeia. Ainda assim, apontou deficiências em transporte, satélites e estoque de armamentos.
Sobre Groenlândia, ele relatou que as ambições dos EUA podem impactar a aliança transatlântica, destacando que tal cenário não pode comprometer a defesa europeia. Ele ressaltou que a cooperação permanece crucial.
A direção da OTAN tem visto avanços com a defesa integrada, mas Rasmussen advertiu que a segurança europeia depende de investimentos. Segundo ele, o setor privado pode migrar da produção civil para itens militares.
Ao falar de Espanha, ele criticou o atraso no cumprimento da meta de gasto militar de 5% do PIB, dizendo que tal posição fragiliza a solidariedade dentro da aliança. A coordenação entre aliados foi reforçada como condição para a defesa coletiva.
Por fim, Rasmussen sugeriu que, se necessário, a Europa utilize instrumentos econômicos da relação com os EUA para conquistar consentimento em questões de defesa. Ele ressaltou que a firmeza tem sido mais eficaz que elogios com o atual governo americano.
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