- O ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov, defende uma estratégia de vencer por attrito, buscando matar mais soldados russos do que a Rússia consegue recrutar mensalmente.
- A pretensão é pressionar a Rússia por meio de altas baixas de militares, ao mesmo tempo em que se busca vantagem nas negociações de paz mediadas pelos Estados Unidos.
- Analistas alertam que o plano tem ressalvas, pois a Rússia também está ficando mais eficiente em eliminar combatentes ucranianos, principalmente com o uso de drones.
- A Rússia já perdeu cerca de 1,2 milhão de militares — mortos, feridos ou dados como desaparecidos — e avança a passos lentos no terreno, com menos espaço para ganhos territoriais.
- A ofensiva russa depende de recrutamento crescente e muitas tropas alugadas, incluindo mobilização parcial e aumento de pagamentos para novos voluntários, enquanto a Ucrânia enfrenta dificuldades de pessoal e limitações para ataques de longo alcance.
O novo ministro da Defesa da Ucrânia, Mykhailo Fedorov, apresentou uma estratégia de combate voltada para reduzir as perdas russas por meio de maior intensidade nas ações contra as tropas de Vladimir Putin. A meta declarada é matar mais soldados russos do que o Kremlin consegue recrutar mensalmente. A ofensiva, segundo analistas, busca pressionar Moscou a aceitar condições de negociação mediadas pelos Estados Unidos.
Especialistas alertam que a estratégia de exaustão traz riscos relevantes. A Rússia também aumenta a eficiência no atingimento de alvos ucranianos, o que eleva o custo humano de qualquer ofensiva. A leitura geral é de que o equilíbrio de forças segue desfavorável para Kiev se não houver vantagem material de tropas e armamento.
Em janeiro, Fedorov mencionou o objetivo de 50 mil russos mortos por mês, cifra acima do recrutamento russo mensal estimado entre 30 mil e 35 mil, segundo analistas. Observa-se que a Ucrânia já registrou aumento de fatalidades russas em 2025, conforme estudo da BBC a partir de obituários em veículos russos.
A elevação nos números de baixas pode estar ligada ao uso reduzido de viaturas blindadas russas, mais detectáveis por drones, em favor de ataques com infantaria, conforme avaliação de analistas. O contexto político-militar indica pressão do Kremlin para demonstrar avanços e influenciar o apoio de potências estrangeiras.
Dados do CSIS indicam quase 1,2 milhão de soldados russos mortos, feridos ou desaparecidos desde o início do conflito, um volume superior ao de qualquer outra grande potência desde a Segunda Guerra Mundial. Apesar disso, o ganho territorial de Moscou continua limitado, com avanços gravados em ritmo inferior a 100 metros diários conforme o instituto.
O esforço de Moscou para reforçar as linhas de frente envolve recrutamento e mobilização. Após mobilização parcial em 2022, o Kremlin recorreu a civis, estrangeiros e bônus salariais para atrair voluntários, elevando custos de recrutamento em várias regiões, segundo especialistas.
Economia e sociedade russas enfrentam pressões com o aumento de bônus para soldados. Analistas apontam que ampliar para 50 mil novos recrutas exigiria alta expansão de gastos públicos e poderia gerar insatisfação social, com impactos econômicos potencialmente profundos.
Enquanto Moscou amplia o emprego de drones, a Ucrânia enfrenta limitações em ataques de longo alcance contra concentrações de tropas atrás da linha de frente, devido à disponibilidade de munição e ao recuo de operadores de drones do front. A dependência de armamento pesado afeta a cadência de baixas desejada pela Ucrânia.
A Rússia expandiu o uso de drones como parte de sua estratégia militar, com a criação de uma ala especializada e planos de dobrar o total de operadores. A intenção é aumentar a letalidade na frente, incluindo ações perto de Pokróvsk, onde os avanços russos foram mais visíveis no último ano.
Na prática, a Ucrânia vê uma janela estratégica entre terreno disponível e capacidades russas. A distância entre Pokróvsk e Dnipro é de cerca de 160 quilômetros, o que, segundo analistas, pode influenciar a percepção de avanços russos e as negociações diplomáticas em curso.
Entretanto, questões de contingente humano continuam a desafiar Kiev. Deserções graves e relatos de baixa disponibilidade de tropas para o front têm contribuído para a pressão sobre as linhas de defesa ucranianas, especialmente em áreas sensíveis do leste do país.
Analistas destacam que o ritmo de baixas russas pode depender da forma como Moscou gerencia o uso de força, incluindo a alocação de drones e a capacidade de manter pressões consistentes sem mobilização ampla. Em síntese, o confronto permanece em equilíbrio instável, com pressões estratégicas de ambos os lados.
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