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Fim do pacto nuclear entre Rússia e EUA: o que muda agora

Fim do New START eleva incerteza de uma nova corrida nuclear entre EUA e Rússia; Trump pressiona acordo que inclua a China

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Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel
Relação de Vladimir Putin e Donald Trump volta a esfriar após o fracasso na organização de um novo encontro. Foto: Olga MALTSEVA e SAUL LOEB / AFP
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  • O Tratado de Redução de Armas Estratégicas (New START), que limita ogivas e sistemas de lançamento entre Rússia e Estados Unidos, expira nesta quarta-feira 4 sem sinal de renovação.
  • O acordo estabelece limites de 1.550 ogivas e 800 sistemas de lançamento por país; Rússia, EUA e China possuem arsenais muito acima desses números, com a China crescendo rapidamente.
  • A China tem sido apontada por Donald Trump como motivo para abandonar o New START, defendendo incluir Pequim em um novo acordo; a China nega a comparação de capacidades e rejeita a proposta.
  • A Rússia colocou a renovação por apenas um ano em debate, mas sinalizou estar pronta para um cenário sem limites entre as duas maiores potências nucleares.
  • Especialistas alertam que, sem o tratado, pode aumentar a corrida armamentista e impactar o Pacto de Não Proliferação Nuclear, aumentando a insegurança global.

O fim do tratado que controla o arsenal nuclear entre Rússia e Estados Unidos, o New START, foi confirmado sem sinais de renovação até o momento. O prazo para a renovação expira nesta quarta-feira, 4, aumentando a apreensão sobre uma possível corrida armamentista entre as duas potências.

O acordo limita o arsenal estratégico de cada país a 1.550 ogivas e 800 sistemas de lançamento. Mesmo com esses limites, as estimativas oficiais apontam que Moscou e Washington possuem mais de 5 mil ogivas cada, contando armamentos desativados ou armazenados que não podem ser usados de imediato.

Trump afirma que o fim do New START justifica novo acordo que inclua a China. Em janeiro, ele disse ao New York Times que, se o tratado expirar, “vai expirar” e que apresentaria uma alternativa melhor. Pequim, porém, rejeita a inclusão em negociações equivalentes.

A China sustenta que sua capacidade nuclear não é comparável à dos EUA e que a demanda não é justa, segundo um porta-voz do governo de Xi Jinping. Pequim mantém posição de não participar de negociações sob condições propostas por Washington.

Rússia sinalizou que pode renovar o New START por um ano, conforme proposta de Vladimir Putin, mas destaca frustrações com a falta de resposta de Washington. O vice-ministro Sergei Ryabkov disse estar pronto para uma nova realidade sem limites entre as duas potências.

Especialistas avaliam que a suspensão das inspeções sob o tratado, principalmente após a pandemia e a invasão da Ucrânia, enfraquece a verificação mútua. Inspeções locais ficaram suspensas desde 2020, e dados entre os países foram reduzidos em 2022.

Sem o acordo, a Federação de Cientistas Americanos alerta para possível duplicação dos arsenais. Diretores de organizações de controle de armas apontam que o fim do pacto pode impactar o TNP, de 1970, que promove desarmamento entre potências nucleares.

Na Europa, o fim do New START reaviva o debate sobre defesa nuclear europeia. O chanceler alemão, Friedrich Merz, mencionou conversas com França e Reino Unido sobre um sistema europeu de defesa, enquanto a Rússia pode pressionar pela participação de mais países no modelo de controle.

A ICAN enfatizou que, mesmo com limites, os arsenais de Moscou e Washington representam risco. O grupo destacou que, na ausência do tratado, o cenário de corrida armamentista tende a aumentar a probabilidade de uso de armas nucleares.

Créditos: informações de Christoph Hasselbach.

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