- Congresso dos EUA considera não vender submarinos nucleares à Austrália, mantendo-os sob comando americano para operá-los a partir de bases australianas.
- A ideia de “divisão militar de trabalho” envolve manter os submarinos em serviço da Marinha dos EUA em vez de repassá-los à Austrália, para uso em eventual conflito com a China.
- O relatório cita declarações do ministro da defesa australiano e do chefe da marinha, dizendo que a Austrália não se comprometeria a apoiar os EUA em um possível conflito com a China.
- A justificativa da alternativa é que vender submarinos Virginia-class poderia reduzir a capacidade de dissuasão dos EUA na crise com a China; a Austrália poderia usar os recursos economizados em outras capacidades militares.
- O documento também aponta riscos de cibersegurança ao compartilhar tecnologia nuclear e destaca que a construção naval dos EUA enfrenta gargalos que dificultam atender à demanda para a frota própria e para a possível venda à Austrália.
Um relatório do Congresso dos EUA avalia a possibilidade de não vender submarinos nucleares à Austrália, conforme o acordo Aukus. O estudo aponta a hipótese de manter os submarinos sob comando americano para operá-los a partir de bases australianas. A análise foi publicada em 26 de janeiro pela Congressional Research Service, órgão técnico do Legislativo.
Segundo o documento, uma alternativa seria uma “divisão militar de trabalho” que manteria os submarinos destinados à Austrália sob comando dos EUA, operados a partir de bases na Austrália. A ideia mira evitar o risco de que submarinos vendidos fiquem indisponíveis em caso de crise entre EUA e China sobre Taiwan.
A base de argumentação inclui a posição australiana de não assumir promessas de apoio militar em um possível conflito com a China. O relatório sustenta que submarinos sob comando americano poderiam ser usados em uma eventual crise, potencialmente fortalecendo ou fortalecendo a dissuasão conforme o entendimento da relação entre as nações.
Proposta de divisão de tarefas
O estudo sustenta que vender entre três e cinco submarinos Virginia-class à Austrália poderia reduzir a capacidade de resposta dos EUA em uma crise. Ao manter esses submarinos sob comando americano, o relatório afirma que eles permaneceriam disponíveis para os propósitos da aliança, conforme a necessidade estratégica.
Como alternativa ao plano atual do Aukus, o relatório sugere que a Austrália poderia investir recursos economizados em outras capacidades defensivas, como mísseis de longo alcance, drones e bombardeiros de longo alcance, para ampliar a capacidade de defesa sem depender de SSNs.
O documento também destaca preocupações de cibersegurança, afirmando que hackers vinculados a certas potências estariam ativos na tentativa de acessar sistemas australianos. A proposta de não venda reforça o argumento de reduzir a superfície de ataque tecnológica compartilhada.
A pesquisa comenta ainda os gargalos da indústria naval dos EUA, que não tem conseguido manter o ritmo de construção de submarinos para suprir nem mesmo a frota doméstica. O relatório cita déficit de produção e a necessidade de elevar a taxa de construção para atender a demanda interna e, no futuro, a demanda australiana.
A iniciativa legislativa vigente exige certificação do presidente para liberar submarinos aos EUA, caso haja necessidade de manter a capacidade naval nacional. O relatório, assinado por Ronald O’Rourke, analista de assuntos Navais da CRS, defende a continuidade do atual acordo Aukus como base estável de dissuasão.
A análise reforça que a venda de submarinos Virginia-class poderia sinalizar de forma contundente a China a determinação dos Estados Unidos, do Reino Unido e da Austrália para conter a modernização militar chinesa. O estudo compara a situação a episódios históricos de cooperação entre nações na construção de frotas nucleares.
O relatório conclui que a ideia de compartilhar tecnologia de submarinos nucleares com outra nação elevaria o risco de vulnerabilidades e não estabelece uma conclusão final sobre o caminho a seguir. A Guardian consultou o ministro da Defesa australiano para comentários, sem confirmar posicionamento oficial no momento.
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