- A União Europeia aprovou um empréstimo de € 90 bilhões para a Ucrânia, com a possibilidade de o Reino Unido participar ajudando a pagar os custos de captação.
- O montante destina € 60 bilhões à defesa da Ucrânia e € 30 bilhões para apoio ao orçamento geral, financiado no mercado e garantido por despesas não usadas do orçamento da UE.
- O acordo prevê que a Ucrânia compre equipamentos militares de fornecedores domésticos da UE, da UE ou de países associados, com flexibilidade para adquirir de outros países se itens críticos não estiverem disponíveis.
- Uma nova condição permite às compras a partir de países que tenham acordo de defesa com a UE e contribuam de forma justa para os custos de endividamento, incluindo o Reino Unido, com participação proporcional aos contratos obtidos por empresas britânicas.
- A aprovação final depende do Parlamento Europeu, com a primeira liberação de recursos prevista para abril; alguns países (Hungria, República Tcheca e Eslováquia) não deram apoio explícito, mas não bloquearam o plano.
O acordo da UE para um empréstimo de 90 bilhões de euros para a Ucrânia pode gerar ganhos para empresas britânicas, caso o Reino Unido concorde em contribuir com os custos de captação. Parlamentares e diplomatas da UE aprovaram o negócio nesta semana, abrindo espaço para uma participação britânica no financiamento.
A novidade ocorreu em meio a negociações sobre o programa de defesa e a busca por um caminho de aproximação entre Reino Unido e União Europeia. O governo do Reino Unido sinalizou interesse em retomar conversações sobre um pacto de defesa com a UE, após o colapso das negociações anteriores do programa Safe.
O empréstimo, financiado no mercado de capitais com garantias de gastos não usados do orçamento da UE, destina 60 bilhões de euros à defesa da Ucrânia e 30 bilhões de euros para apoio orçamentário geral. A parcela destinada à defesa depende de compras de equipamentos de fornecedores domésticos ou de países da UE.
Contribuição britânica e condições de compra
Uma das cláusulas novas prevê que a Ucrânia possa adquirir equipamentos de países que tenham se comprometido a contribuir de forma justa com os custos do empréstimo, em função do valor dos contratos. O país também deve manter uma parceria de segurança com a UE e demonstrar apoio financeiro e militar relevante.
A possibilidade de o Reino Unido participar das compras e da contribuição financeira foi discutida por diplomatas. Segundo fontes, o objetivo é evitar subsidiar apenas a indústria de um país, mantendo o uso de fornecedores europeus, mas com certa flexibilidade para itens críticos.
A proposta não prevê até o momento um valor fixo para a participação britânica. A ideia é avaliar, conforme contratos ganhemu, a participação proporcional do Reino Unido nos custos de juros. O governo britânico afirmou não comentar processos internos da UE.
Status e próximos passos
O empréstimo precisa ainda da aprovação do Parlamento Europeu, com expectativa de liberar a primeira tranche já em abril. A UE estimou que o montante cobrirá duas terças partes das necessidades de Kyiv, com outros parceiros internacionais complementando o financiamento.
Questionado sobre a participação britânica, um porta-voz do governo britânico lembrou o apoio financeiro já entregue ao esforço ucraniano, incluindo assistência militar e fiscal. A declaração reforçou a cooperação com parceiros do G7 e da UE para a defesa da Ucrânia.
A decisão ocorreu por meio de um procedimento especial entre 24 dos 27 membros da UE, após a Hungria, a República Tcheca e a Eslováquia terem recusado o apoio formal, mas optarem por não bloquear o plano.
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