- Deportados para Honduras relatam que não tiveram chance de organizar o cuidado de seus filhos após a detenção, sendo devolvidos rapidamente.
- Em muitos casos, crianças ficaram sob cuidado informal de parentes ou amigos, inclusive há relatos de mães separadas de filhos recém-nascidos.
- Pesquisadores entrevistaram dezenas de pais e mães deportados, além de profissionais de saúde, relatando que autoridades não perguntaram sobre filhos nem permitiram decidir o que fazer com eles.
- O estudo, realizado com mulheres e homens deportados, aponta demora na reunificação familiar e dificuldades logísticas e legais para manter ou restabelecer vínculos.
- O relatório recomenda ações para proteger famílias, incluindo medidas nos EUA, em Honduras e com organizações internacionais, para assegurar cuidado, saúde mental e assistência à reunificação.
O relatório conjunto da Women’s Refugee Commission (WRC) e Physicians for Human Rights (PHR) revela que dezenas de pais deportados para Honduras foram removidos sem a chance de organizar a guarda de seus filhos. A investigação envolveu entrevistas com 163 mulheres e 1.094 homens em cinco dias, em três centros de recepção de deportados em San Pedro Sula.
Segundo o estudo, muitos pais partiram rapidamente após a detenção, sem possibilidade de coordenar cuidados com as crianças. Em alguns casos, os filhos ficaram sob responsabilidade informal de familiares ou amigos, também em risco de deportação. Houve relatos de mães deportadas sem bebês ou com filhos bébés que não puderam acompanhar.
A análise aponta falhas nas perguntas sobre crianças no momento da prisão e na garantia de opções para manter famílias unidas. Médicos e defensores destacam que a separação súbita causa sofrimento emocional severo, especialmente entre bebês e crianças pequenas.
Contexto institucional
A pesquisa foca em Honduras, mas aponta que impedimentos para reuniões familiares podem ocorrer em outras deportações. Oficiais do DHS não responderam de imediato a pedidos de comentário sobre os resultados do relatório.
Dados do estudo
Durante a passagem pelos centros, a equipe avaliou situações de gravidez, lactação e crianças com necessidades especiais. O relatório cita casos de separação de pais de crianças com autismo e de mães que não tiveram tempo para falar com advogados ou outros familiares.
Desdobramentos e recomendações
Os autores recomendam maior apoio da administração hondurenha na reintegração de deportados e coordenação com organizações internacionais para saúde sexual, reprodutiva e mental. Também sugerem ações para o Congresso dos EUA proteger famílias no sistema imigratório e estabelecer mecanismos de proteção a indivíduos vulneráveis em custódia.
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