- O jornalismo brasileiro enfrenta uma crise de credibilidade e de identidade, com grandes grupos transformando-se em aparatos de militância política em vez de observadores da vida pública.
- A cobertura de temas institucionais tornou-se parcial, com apoio à anulação de condenações da Lava Jato e críticas seletivas a decisões judiciais, sob discurso de defesa da democracia.
- Há um padrão de seletividade e autoritarismo, incluindo censura prévia, remoção de conteúdos e perseguição de opositores, com impacto na liberdade de expressão e no papel de fiscalização.
- O tom crítico facilita a punição de deviantes políticos enquanto reforça tratamento brando a autoridades de referência, revelando um duplo padrão e hipocrisia no debate público.
- Dados indicam queda de confiança na imprensa no Brasil (aproximadamente 42% em 2025) e identificação de muitos jornalistas com espectro político de esquerda, refletindo a erosão da imparcialidade.
O jornalismo brasileiro, visto por décadas como fiscal do poder, enfrenta hoje uma crise de identidade e credibilidade. O retrato atual aponta para um estágio de erosão moral e intelectual, com alguns veículos mantendo padrões profissionais, mas grandes conglomerados adotando uma linha ideológica marcada por atuação político-partidária.
Essa transformação aparece de forma explícita em coberturas recentes sobre a Justiça. Redações assumem postura crítica seletiva, celebrando determinadas decisões enquanto ignoram impactos de longo prazo na confiança institucional. A crise deixa claro que a função de controle público perdeu parte de sua força tradicional.
Destruição institucional
A degradação não ocorreu por acaso. A reforma do debate público foi construída ao longo de anos, sob o argumento de defesa da democracia. Em 2021, decisões do STF favoreceram réus ligados à operação Lava Jato, influenciando a percepção sobre a Justiça e suas condenações.
Essas decisões, segundo análises, influenciaram a narrativa de combate à corrupção. Mesmo assim, o ciclo de cobertura favoreceu leituras que minimizaram efeitos institucionais amplos e o papel da imprensa no escrutínio contínuo do poder.
Seletividade e autoritarismo
Casos de punição a opositores e censura emergem como fenômeno frequente em coberturas. Políticos de direita enfrentam cobranças intensas, enquanto ações de censura contra críticos de setores do poder recebem tratamento diverso.
O Judiciário ampliou competências de regulação de redes sociais e adotou medidas que impactaram plataformas, com relatos de remoção de conteúdos. Em paralelo, algumas reportagens passaram a enfatizar apenas aspectos que apoiam determinados desfechos políticos.
O duplo padrão e a hipocrisia
A narrativa pública, segundo observadores, alterna entre defesa da democracia e apoio a restrições de expressão. Coberturas que antes criticavam censuras passaram a valida-las em contextos favoráveis a agendas específicas.
Essa assimetria se reflete também na comparação entre governos. Em ocasiões, críticas agressivas a gestões de um mandato coexistem com tolerância a medidas de maior alcance regulatório em outro contexto, gerando percepção de viés.
A confiança pública
Relatórios internacionais indicam queda da confiança na mídia no Brasil, com indicadores baixos ao longo dos anos. Pesquisas apontam que uma parcela relevante da população questiona a independência de parte da imprensa frente a interesses políticos.
Ainda há jornalistas e veículos independentes que resistem a esse quadro. Contudo, a percepção de parcialidade e de partidarização cresce entre leitores e espectadores.
A degradação irreversível
Referências históricas são citadas para ilustrar a gravidade da situação. Autores e estudiosos discutem a relação entre poder, propaganda e autonomia editorial, destacando riscos à democracia quando o escrutínio público se torna seletivo.
A narrativa atual aponta que a imprensa não se limita a noticiar. Em parte do cenário, atua como parte interessada na disputa pelo poder, o que compromete a função informativa essencial para a sociedade.
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