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BC pode ampliar corte no 2º trimestre se guerra acabar, diz JPMorgan

Desescalada do conflito pode levar Banco Central a retomar cortes de 50 pontos-base na Selic no 2º trimestre, reduzindo prêmio de risco geopolítico e petróleo

Temores de uma inflação disseminada diante do choque de oferta de petróleo têm gerado forte volatilidade nos mercados internacionais (Foto: Bloomberg)
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  • JPMorgan afirma que o Banco Central poderia retomar um corte de 50 pontos-base na Selic já no segundo trimestre, caso haja desescalada do conflito entre Irã e EUA, reduzindo o prêmio de risco geopolítico sobre petróleo e o real.
  • O BC iniciou o ciclo de flexibilização com corte de 0,25 ponto percentual, estabelecendo a Selic em 14,75% ao ano, citando forte aumento da incerteza.
  • O petróleo acumula alta acima de 30% desde o início do conflito, com o Brent acima de US$ 116 o barril; analistas citam possibilidade de preços próximos de US$ 200 se o conflito se prolongar.
  • A aversão ao risco tem pressionado o mercado brasileiro, com a curva de DI precificando um corte de 0,25 ponto por exemplo, menor do que o esperado antes da guerra.
  • Em cenário de acordo entre EUA e Irã, espera-se que os fluxos de petróleo se recuperem rapidamente, o que poderia aliviar yields de curto prazo e favorecer recuperação de mercados emergentes e europeus.

O BC pode acelerar a devolução da Selic caso haja desescalada do conflito entre Irã e EUA, abrindo espaço para novo corte de 0,50 ponto percentual no segundo trimestre, segundo Marina Valentini, estrategista de mercado global da JPMorgan Asset Management. A visão foi apresentada à Bloomberg News.

Ela afirma que boa parte do prêmio de risco geopolítico, relacionado ao petróleo e ao real, poderia desaparecer com a redução das tensões. Se as incertezas se dissiparem e os efeitos sobre a inflação forem contidos, o BC poderia retomar o ritmo de 50 pontos-base de cortes.

Essa leitura ocorre em meio a volatilidade global alimentada pela guerra, comTemores de inflação diante de choques de oferta e incerteza sobre a duração do conflito. O BC iniciou o ciclo de flexibilização com queda de 0,25 p.p., para 14,75% ao ano.

Contexto de petróleo e cenário para o BC

A elevação recente do petróleo intensificou a aversão ao risco nos mercados. O Brent operava acima de US$ 116 o barril, após já registrar alta superior a 30% desde o início do conflito. Analistas citam cenário de possível atingimento de US$ 200 o barril caso a guerra se prolongue.

Investidores passaram a revisar apostas de cortes nas expectativas da Selic, com a curva de DI precificando menor intensidade de redução. Caso haja acordo entre EUA e Irã, o foco passaria a ser a recuperação da oferta de petróleo e a normalização da produção.

Perspectivas e ajustes de curto prazo

No curto prazo, o mercado pode reagir com alívios nos yields e reajustes nas expectativas de alta de juros, especialmente na Europa e no Reino Unido. A resposta das ações em mercados emergentes e da Europa poderia ocorrer com maior fôlego.

A análise indica que, mesmo com eventuais cessar-fogos, as disrupções de oferta exigiriam tempo para normalização. A volatilidade deve permanecer nos próximos meses, antes de um retorno ao roteiro pré-guerra.

Marina ressalta que, no médio prazo, o mercado tende a voltar ao desempenho anterior ao conflito, conforme o cenário de oferta de energia se normaliza. Os investidores globais ainda enxergam valor em mercados emergentes, segundo a especialista.

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