- O Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,75%, o primeiro corte desde 2024.
- A decisão ocorreu em meio à alta do petróleo e a incertezas globais com o conflito no Oriente Médio.
- Gestores e economistas ouvidos pela Bloomberg veem espaço para cortes graduais no ciclo de afrouxamento.
- A comunicação foi considerada cautelosa, com o BC sinalizando continuidade do ciclo, dependendo de riscos externos.
- No câmbio, a alta do petróleo sustenta o carry trade, e o real pode se manter resiliente, ainda que haja riscos inflacionários para os próximos passos.
Bloomberg News aponta que o Copom iniciou o ciclo de cortes de forma contida, o que pode sustentar ativos locais e a demanda por câmbio no curto prazo. O recuo enxuto ocorre em meio à alta do petróleo e às incertezas geopolíticas no Oriente Médio.
Sob a liderança de Gabriel Galípolo, o BC reduziu a Selic em 0,25 ponto, para 14,75%. A decisão coincidiu com o Fed mantendo os juros estáveis e sinalizando cautela sobre flexibilização futura.
Gestores avaliam que o corte, embora menor que o esperado, transmite continuidade do ciclo de afrouxamento. A comunicação foi considerada cautelosa, com espaço para recuperação dos mercados caso riscos externos diminuam.
Mercados de renda fixa passaram a ver recuperação na ponta curta da curva, enquanto o dólar e o real seguem sob influência do cenário global. Títulos de mercados emergentes permaneceram voláteis, com intervenções de recompra do Tesouro brasileiro em volume recorde.
No câmbio, o petróleo alto favorece estratégias de carry trade. Mesmo com o recuo, juros elevados ajudam a sustentar o real, segundo analistas, mantendo-o relativamente mais resistente ante choques externos.
Visões de gestores e economistas
Pedro Dreux, Occam Brasil Gestão, destaca que a decisão foi apropriada diante da incerteza elevada e que a continuidade do ciclo reduz riscos de fixação de juros no curto prazo.
André Muller, AZ Quest, aponta que a credibilidade do BC aumenta a confiança em cortes adicionais, dependendo do cenário, com quedas marginais nos juros de curto prazo.
Cristiano Oliveira, Banco Pine, vê o início do ciclo em meio à turbulência global como sinal de resiliência econômica e credibilidade do BC, sem movimentos relevantes no curto prazo.
Brendan McKenna, Wells Fargo, mantém a linha de cortes graduais de 25 pontos-base, com o BC agindo com cautela diante do ambiente externo.
Daniel Tenengauzer, InTouch Capital Markets, espera apreciação do real e quedas maiores nos rendimentos de longo prazo após a decisão.
Dan Pan, Standard Chartered, classifica o corte de 25 pontos-base como meio-termo prudente, sinalizando cautela quanto a inflação e o ritmo das próximas reduções.
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