- Fitch Ratings e S&P Global Ratings rebaixaram a nota da Raízen para nível especulativo, mantendo em observação negativa.
- A decisão amplia a pressão de liquidez da empresa, que já não conseguiu levantar recursos com Cosan e Shell.
- Em resposta, a Raízen contratou a Alvarez & Marsal como assessora financeira para reforçar sua posição de liquidez e estrutura de capital.
- Os títulos da Raízen mostram queda acentuada, com preços próximos à metade do valor na última semana e rendimento em torno de 18%.
- A empresa precisa de aporte de capital entre R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões, e negociações com controladores têm avançado pouco.
A nota de crédito da Raízen foi rebaixada para nível especulativo pela Fitch Ratings e pela S&P Global Ratings, na sequência da piora no quadro de liquidez da empresa de açúcar e etanol. A mudança ocorreu na segunda-feira, ampliando a pressão sobre os títulos da companhia, que recuaram quase pela metade na semana passada.
As agências elevaram o risco de novo rebaixamento, mantendo as classificações em observação negativa. A Raízen não conseguiu atrair recursos adicionais junto às controladoras Cosan e Shell, o que levou à contratação da Alvarez & Marsal como assessora financeira para reforçar a posição de liquidez.
O panorama financeiro se complica diante de dificuldades com juros elevados, safras abaixo do esperado e projetos ambiciosos que ainda não geraram retorno significativo. A empresa afirma que está buscando alternativas para fortalecer a estrutura de capital e a liquidez, com apoio de consultores financeiros e jurídicos.
Impacto nos títulos e cenários de retomada
A Raízen precisa de aporte de capital entre 20 e 25 bilhões de reais, segundo estimativas do UBS BB Investment Bank divulgadas no fim do ano passado. As negociações com Cosan e Shell não avançaram de modo suficiente até o momento.
Entre as opções discutidas, há a possibilidade de reestruturação com um possível haircut de dívida, conforme pessoas próximas ao tema. Enquanto isso, os bonds em dólares com vencimento em 2037 passaram a operar em patamar mais baixo, refletindo o cenário de liquidez.
Títulos da Raízen rendem hoje cerca de 18%, ante pouco menos de 10% no início do mês, em meio a tremores no mercado de dívida brasileiro. Investidores permanecem atentos aos desdobramentos envolvendo a Raízen e seus controladores.
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