- A guerra no Irã, com o bloqueio do estreito de Hormuz, pode agravar a escassez global de petróleo, gás e fertilizantes, afetando Índia e Sri Lanka.
- A Índia é a segunda maior consumo de fertilizantes do mundo, e seu uso depende em grande parte de gás natural importado; o fornecimento de gás a fábricas caiu cerca de trinta por cento.
- Agricultores na pensinsula de Punjab e em outros estados entram em pânico, comprando fertilizantes antecipadamente para a safrinha e temem menor produção de arroz e outras culturas.
- O governo afirma que as plantas de fertilizantes operam normalmente e que os estoques estão mais altos que no ano passado, mas o setor continua sob pressão de custos e de variações de preço.
- Em Sri Lanka, o risco de crise alimentar aumenta diante de estoques baixos e preços mais altos; autoridades tentam controlar preços e distribuir fertilizantes, enquanto agricultores relatam dificuldades de planejamento e possível redução de safras.
A incerteza gerada pela ofensiva no Irã acendeu temores de escassez de fertilizantes e petróleo, com impactos sentidos na Índia e no Sri Lanka. A OCI e governos asseguram estoques, mas produtores dizem que a produção pode recuar diante de custos crescentes e interrompções logísticas.
Em Punjab, na Índia, o agricultor Gurvinder Singh relata ansiedade e risco de queda na produtividade da colheita de arroz caso o fertilizante não chegue. Ele lembra que o setor já enfrenta desafios de lucratividade e dívida. A região é conhecida como o celeiro do país.
Analistas indicam que a dependência de importações de fertilizantes e gás para a produção agrária torna a Índia sensível a choques no Golfo. A produção interna de ureia é insuficiente, aumentando a pressão sobre o abastecimento.
Panorama da oferta na Índia
Autoridades asseguram que as usinas de fertilizantes operam normalmente e que estoques de reserva estão acima do ano passado. Diversificação de fornecedores é citada como medida para reduzir vulnerabilidade à região do Golfo.
Apesar das declarações oficiais, pequenos produtores relatam pânico de compra. Alguns agricultores já adiantam aquisições de fertilizante para o período de kharif, que começa em maio, para evitar faltas.
Economistas apontam que o custo de fertilizantes e energia pode pressionar margens de lucro e influenciar decisões de plantio para a próxima safra, com consequências para a produção de arroz e outros grãos.
Impactos no Sri Lanka
No Sri Lanka, o temor é semelhante: a escassez de fertilizantes pode afetar a próxima safra de arroz, agravando a crise econômica já existente. Agricultores relatam aumentos de preço e redução de estoques.
Autoridades do país dizem ter adotado medidas para controlar preços e distribuir fertilizante de forma mais equitativa, especialmente nas áreas litorâneas onde a próxima safra começou. Mesmo assim, líderes de entidades agrícolas alertam para riscos de desabastecimento.
Produtores locais afirmam que estoques já estão baixos e preços sobem, o que pode inviabilizar o plantio de safras futuras. O temor é de que o atraso ou a redução na oferta comprometa a segurança alimentar.
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