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Conflito no Irã pode afetar exportação de grãos e fertilizantes para o Brasil

Conflito no Irã pode suspender contratos de grãos e reduzir ureia no Brasil, elevando custos de seguro marítimo e pressionando rotas logísticas

Irã é o maior importador de milho do Brasil
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  • O conflito no Oriente Médio, com ataques dos EUA e de Israel ao Irã, pode cancelar contratos de grãos e provocar escassez de fertilizantes no Brasil, devido a interrupções no tráfego pelo Estreito de Ormuz.
  • Exportadores avaliam descarregar cargas de grãos em Omã para evitar problemas no Golfo Pérsico; a viabilidade depende de acabar levando os volumes até os destinos finais por via rodoviária ou ferroviária.
  • O Irã foi o principal destino de parte das exportações brasileiras de milho no ano anterior, comprando cerca de 9 milhões de toneladas, o que representa cerca de 20% dos embarques; o país também é fornecedor relevante de ureia.
  • A guerra pode elevar o custo do seguro marítimo e limitar o fornecimento de ureia; o Irã representa hoje parte das importações brasileiras de ureia, estimadas entre 1,3 milhão e 1,4 milhão de toneladas anuais.
  • Movimentos logísticos alternativos, como escoar por Mar Vermelho via Arábia Saudita ou por Omã, estão sendo considerados, mas a viabilidade econômica ainda é incerta e há dúvidas sobre impactos no ciclo de plantio de 2026/27.

O conflito no Irã, agravado por ataques dos EUA e de Israel, pode impactar a exportação de grãos e o fornecimento de fertilizantes ao Brasil. Analistas e dados de mercado apontam que a região é destino relevante para as vendas brasileiras e fornecedora de ureia. As interrupções no Estreito de Ormuz elevam o risco logístico.

Segundo a consultoria Argus, operadores discutem descarregar cargas de grãos em Omã para evitar o Golfo Pérsico. Ainda não há clareza sobre a viabilidade dessa operação, nem se os volumes poderiam seguir por caminhão ou ferrovia até os destinos finais. A alternativa seria o cancelamento dos embarques.

Cargas a granel entram na região pelo Estreito de Ormuz, conforme explica Arthur da Anunciação Neto, da Alphamar. O aumento do custo de seguros e a navegação arriscada elevam a posição de risco para exportadores e seguradoras, com barcos já preparando desvios.

O Irã foi o principal destino das exportações brasileiras de milho no ano anterior, comprando cerca de 9 milhões de toneladas. A maior parte do milho é embarcada na segunda metade do ano, o que pode sofrer influência das tensões atuais.

Rotas de Navegação Criativas

Fertilizantes do Oriente Médio, especialmente o Irã, são fornecedores relevantes para o Brasil. Dados da Agrinvest indicam que o Brasil depende integralmente de importações de ureia em 2025, com quase 3 milhões de toneladas passando pelo Estreito de Ormuz antes de chegar.

Francisco Vieira, da Agroconsult, aponta que a guerra tende a restringir o fornecimento de ureia e a elevar preços no curto prazo. Do Irã, possivelmente, não deverá haver remessas iniciais, dependendo da evolução do conflito.

Dados oficiais mostram 7,7 milhões de toneladas de ureia importadas no último ano, com menos de 2,5% provenientes do Irã. Estimativas privadas sugerem que o Irã responda por cerca de 1,3 a 1,4 milhão de toneladas das compras brasileiras anuais.

As remessas iranianas costumam transitar por Omã, devido a sanções dos EUA que afetam pagamentos internacionais. A ausência de fornecedores do Oriente Médio pode desequilibrar a oferta global de ureia, estimam especialistas.

Tomás Pernías, da StoneX, avalia rotas alternativas que não passem pelo Estreito de Ormuz, como o Mar Vermelho pela Arábia Saudita. Contudo, a viabilidade econômica dessas rotas ainda é questionada.

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