- Deregularização sozinha não resolve a acessibilidade de moradias; o que eleva os preços é o aumento da desigualdade de renda, não apenas regras de zoneamento.
- Estudos indicam que os preços de moradias sobem em conjunto com aumentos de renda médios, especialmente em cidades com alta concentração de trabalhadores com formação universitária.
- Em Houston, aluguel subiu aproximadamente quatro vezes entre 1980 e 2019, acompanhando salários de trabalhadores com diploma, mas acima do ganho de trabalhadores sem diploma.
- Em São Francisco, aluguel subiu cerca de sete vezes no mesmo período, superando em muito a evolução salarial de trabalhadores sem diploma.
- Aumentar a oferta de moradias pode pressionar para baixo os preços, mas o ritmo necessário é lento; reformas de zoneamento amplas não resolvem sozinhas e podem elevar custo de terreno e construção.
O ex-presidente Donald Trump apresentou ideias sobre a política habitacional que, segundo analistas, não resolvem a crise de moradia dos EUA. Ele defende menos regulações para reduzir custos de construção, sem baixar o valor das casas existentes.
Especialistas alertam que a moradia cara resulta mais de desigualdade de renda do que de regras de zoneamento. Embora a ideia de simplificar normas tenha força política, estudos indicam que o aumento de oferta precisa acompanhar o crescimento de renda para ter efeito real.
Move-se no sentido de flexibilizar regras de uso do solo para estimular construção, uma pauta apoiada por setores da construção e por parte da administração Biden. A expectativa é ampliar a oferta, reduzindo preços e aluguel.
Entretanto, pesquisas de universidades como UC Los Angeles, London School of Economics e outros mostram que a relação entre regulação e preços não é simples. O ganho com maior oferta ocorre apenas com aceleradores de mercado e renda.
Dados de cidades como Houston e San Francisco mostram padrões diferentes. Em Houston, aluguéis subiram conforme salários de trabalhadores com diploma, mesmo com regulações mais fracas. Em San Francisco, o aumento acompanhou salários médios, muito acima de trabalhadores sem diploma.
Estima-se que aumentar o estoque de moradias em 1,5% ao ano poderia reduzir preços entre 0,6% e 4% ao ano. O ritmo necessário para tornar moradias acessíveis varia bastante entre cidades, estimando décadas para alguns casos.
Especialistas reiteram que reduzir preços não depende apenas de desregulamentação. Medidas como controles de aluguel trazem efeitos mistos, podendo reduzir a oferta de moradias a longo prazo e incentivar migração de imóveis para venda.
O debate envolve também o papel da renda — não apenas a construção. Enquanto propostas buscam ampliar a oferta, não há garantia de que isso leve rapidamente a moradias acessíveis para trabalhadores com menor renda.
Entre na conversa da comunidade