- Profissionais autônomos relatam que empregadores usam IA, como ChatGPT e Gemini, para tarefas antes feitas por humanos, aumentando as exigências e impactando pagamentos.
- Relatório da OIT edo NASK (maio de 2025) aponta que um em cada quatro empregos pode sofrer transformação com IA generativa.
- Casos na reportagem mostram impactos variados: produtora de conteúdo teve vida profissional afetada por IA; designer viu queda de preços e busca por múltiplas funções; tradutora foca em revisão, com tempo de trabalho menor.
- Dicas para se manter relevante: valorizar a criatividade humana, usar IA como ferramenta útil no dia a dia e não demonizar a tecnologia.
- Importante manter a qualidade e adaptar-se, aproveitando a IA para tarefas rápidas e reorganizando atividades criativas para manter demanda.
A atuação de freelancers diante da inteligência artificial ganhou destaque em uma cobertura do g1, que reúne relatos de profissionais de diferentes áreas sobre as mudanças no mercado. Um relatório conjunto da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e do Instituto Nacional de Pesquisa da Polônia (NASK), divulgado em maio de 2025, aponta que cerca de um quarto dos empregos globais pode sofrer transformações com IA generativa. As autoridades da ONU destacam impactos variados, entre aumento de produtividade e possível redução de postos de trabalho.
Autônomos em áreas como produção de conteúdo, design e tradução relatam mudanças sensíveis na demanda e na forma de precificação. Em muitos casos, clientes recorrem a ferramentas de IA para tarefas antes executadas por profissionais, como redação, tradução e criação de imagens. Mesmo sem substituição completa, o uso penetrante de IA redefine o dia a dia desses trabalhadores.
Mariana Del Nero, produtora de conteúdo de 38 anos, perdeu um trabalho antigo para uma IA em 2024, quando um convite para evento corporativo foi entregue pronto pelo sistema. Ela percebeu que tarefas simples já eram executadas por IA e passou a se posicionar como elo entre a ferramenta e o cliente, aumentando o uso de plataformas como o ChatGPT, o que reduziu o tempo de entrega — de duas horas para cerca de 15 minutos — sem, porém, compensar eventual queda de remuneração pela demanda menor.
Cássio Menezes, designer gráfico de 35 anos, relata queda de faturamento e maior pressão por profissionais que acumulem várias funções. Ao cobrar R$ 1,6 mil por um pacote completo de identidade visual, ele viu um cliente questionar o valor, citando a disponibilidade de IA, e o serviço foi descontinuado. A valorização do trabalho é afetada pela percepção de que a IA facilita tarefas, levando à tentativa de reduzir honorários. O mercado também passa a exigir mais habilidades em uma única contratação, elevando a competitividade entre profissionais criativos.
Maria Fernanda, tradutora freelance de 34 anos, afirma que desde o início de 2024 as ofertas passaram a incorporar principalmente trabalhos de revisão de textos traduzidos pela IA. Ainda que a revisão tenha remuneração menor, o ganho de produtividade permite aceitar mais projetos, o que mantém o faturamento estável. A percepção é de que áreas técnicas, como jurídica e médica, bem como publicidade, estão mais impactadas, enquanto a tradução literária continua dependendo do trabalho humano.
Para enfrentar esse cenário, especialistas sugerem valorizar e investir nos aspectos criativos e exclusivos do trabalho humano. A professora Luciana Morilas, da FEA-USP, ressalta que a criatividade não é previsível por algoritmos e que a IA não substitui completamente a capacidade humana de inovar. Ela recomenda não demonizar a tecnologia, aprendendo a integrá-la ao dia a dia para não ficar para trás. O uso estratégico de ferramentas de IA para transcrição, organização de cronogramas e tarefas simples pode manter a competitividade.
Como se manter relevante frente às IAs
- Profissionais devem explorar o diferencial criativo e a capacidade de pensar de forma singular.
- Integrar IA como ferramenta auxiliar, sem abrir mão da supervisão humana.
- Atualizar constantemente o conjunto de habilidades, buscando especialização e diversidade de serviços.
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