- O governo elevou os preços-teto dos principais leilões do setor elétrico deste ano após identificar distorção nos valores calculados por empresas interessadas, para evitar riscos na contratação de mais potência.
- Na reação inicial do mercado, as ações da Eneva caíram quase 20%, mas subiram 8% após o anúncio das revisões.
- Os novos preços-teto ficaram mais próximos do que esperavam os empreendedores: usinas existentes a gás natural e carvão passaram a 2,25 milhões de reais por megawatt-ano, e novos empreendimentos a gás, 2,9 milhões de reais por megawatt-ano.
- Outras mudanças incluíram ajustes para usinas movidas a óleo combustível, diesel e biodiesel: 1,6 milhão de reais por megawatt-ano e 1,75 milhão de reais por megawatt-ano, respectivamente.
- Os leilões estão marcados para 18 e 20 de março, com foco em ampliar a competição e ampliar a segurança no suprimento, contando com interesse de grandes geradoras como Petrobras e Âmbar, além de atrair projetos de hidrelétricas.
O governo elevou os preços-teto para os principais leilões do setor elétrico neste ano, após identificar distorções em relação aos valores calculados por empresas interessadas. A medida visa evitar riscos à contratação de mais potência para o sistema de energia brasileiro.
A medida foi anunciada pela Aneel nesta sexta-feira, após reação negativa do mercado na véspera. O movimento ocorreu em meio a um tombo recente das ações da Eneva, que chegou a recuar quase 20% após a divulgação inicial dos números.
A Eneva informou, em nota, que a revisão dos valores está positiva e alinhada aos indicadores do setor, o que, segundo a empresa, fortalece o objetivo de garantir o suprimento de energia e ampliar a competitividade. Na bolsa, as ações da Eneva subiram cerca de 8%.
Os novos preços-teto para as usinas existentes a gás natural e carvão mineral ficaram em R$ 2,25 milhões/MW.ano, ante R$ 1,12 milhão/MW.ano. Para empreendimentos novos a gás, o teto subiu para R$ 2,9 milhões/MW.ano, frente R$ 1,6 milhão/MW.ano.
O governo também ajustou para cima o teto de preço para usinas movidas a óleo combustível, diesel e biodiesel. Usinas a combustível e diesel passam a ter teto de R$ 1,6 milhão/MW.ano, ante R$ 920 mil/MW.ano; biodiesel, R$ 1,75 milhão/MW.ano, ante R$ 990 mil/MW.ano.
Com a atualização, os leilões permanecem marcados para 18 e 20 de março. Os valores servem de referência máxima para cálculos dos contratos, não representando o preço final da energia contratada. O objetivo é aumentar a competição e reduzir custos para o consumidor.
Além da Eneva, grandes geradoras como Petrobras e Âmbar, do grupo J&F, manifestaram interesse em participar dos certames. O leilão também aponta para expansão de hidrelétricas, com interesse de Axia e Copel, entre outras geradoras.
Os preços-teto para projetos de expansão de usinas hidrelétricas foram mantidos. O teto continua em R$ 1,4 milhão/MW.ano. A atualização reflete novos cenários de capex e condições de suprimento, com a revisão baseada em contribuições e avaliações técnicas do MME.
O governo informou que mais de 120 GW em projetos foram habilitados para participação. A demanda de contratação não é divulgada, mas estimativas de mercado apontam pelo menos 20 GW. A Thymos Energia projetou necessidade de 23 a 30 GW para manter a segurança do sistema nos próximos anos.
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