- Estela de Carlotto, presidenta das Abuelas de Plaza de Mayo, aos 95 anos, reforça a continuidade da busca pelos netos no 50º aniversário do golpe de 1976.
- A organização já restituiu a identidade de 140 netos e ainda busca cerca de 300 pessoas, enquanto apenas duas integrantes permanecem ativas.
- A história da própria família de Carlotto começou com o sequestro de sua filha Laura em 1977; Laura morreu, e seu neto Guido foi identificado em 2014.
- A luta impulsionou avanços como o índice de abuelidad (filição genética) e a criação de um Banco Nacional de Dados Genéticos, fortalecendo o direito à identidade.
- Carlotto afirma que as gerações futuras devem dar continuidade à memória e à busca, enfatizando que o legado é manter viva a identidade das pessoas e a defesa dos direitos humanos.
Estela Barnes de Carlotto, aos 95 anos, é uma das figuras mais reconhecidas da defesa dos direitos humanos na Argentina. Em meio ao 50º aniversário do golpe de 1976, mantém o compromisso com o Nunca Más e afirma que, apesar da idade, segue firme na busca pela verdade e pela justiça.
De Carlotto preside a Abuelas de Plaza de Mayo desde 1989. A organização já restituiu a identidade de 140 netos, entre eles Guido, encontrado em 2014. Hoje, a busca mira cerca de 300 crianças apropriadas durante a ditadura.
A trajetória de Estela começou após o seqüestro de sua filha Laura, grávida, em 1977, quando atuava como diretora de escola em La Plata. Esse acontecimento a levou a dedicar a vida à divulgação da memória e à recuperação de identidades.
Entre os marcos da luta, a instituição incentivou avanços na ciência genética para confirmar vínculos familiares na ausência dos pais. Também foi criado o Banco Nacional de Dados Genéticos, público, que subsidia as reconciliações de identidades.
Quando questionada sobre o momento atual, Carlotto destaca a satisfação de cada restituição alcançada e o fortalecimento da memória como legado. Afirma não nutrir ódio, apenas coragem, dor e responsabilidade para evitar que crimes se repitam.
Ela recorda o início da campanha pelos direitos humanos e a transformação gradual da sociedade. A palestras em escolas e universidades ajudam a manter viva a memória e mobilizam novas gerações a conhecer o passado.
A líder das Abuelas também comenta sobre o cenário político recente, defendendo a importância da verdade e da luta constante. Reitera que as ofensas não a abalam e que a organização continua atuante. O legado, segundo ela, está nos próprios netos.
Para o futuro, Estela entende que a força da causa passa para as novas gerações. Hoje, as famílias e os netos assumem a continuidade da busca, mantendo a identidade como direito fundamental e perseverando na memória coletiva.
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