- O Departamento Federal de Meio Ambiente afirmou que a Black Mountain Energy apresentou dados insuficientes para avaliar impactos ambientais ao planejar 20 poços de gás no projeto Valhalla, perto de Fitzroy Crossing, no Kimberley de WA.
- O site fica próximo a um córrego que deságua no Fitzroy River, área de importância ambiental e habitat de espécies ameaçadas, como o lagarto-de-língua-azul do norte e o tubarão-boca-larga (largetooth sawfish).
- Documentos obtidos por meio de liberdade de informação mostram que as autoridades federais repetidamente solicitaram informações adicionais sobre recursos hídricos, ecossistemas dependentes de água subterrânea e caminhos de impacto do fraturamento.
- A WA Environmental Protection Authority já recomendou a aprovação sob leis estaduais, mas o governo federal continua avaliando impactos e pedindo que a empresa consulte grupos tradicionais com conexões culturais ao Fitzroy River.
- Relatos de grupos de defesa ambiental indicam que o projeto deve ser encerrado pelo governo federal caso não haja dados suficientes para comprovar segurança ambiental; o processo ainda está em avaliação e envolve impactos sobre recursos hídricos, espécies ameaçadas e valores do patrimônio nacional da região.
A indústria de gás está sob escrutínio federal pela proposta de fraturamento na região Kimberley, em Western Australia. A empresa norte-americana Black Mountain Energy, por meio da sua subsidiária Bennett Resources, busca a aprovação para perfurar 20 poços na área do projeto Valhalla, ao oeste de Fitzroy Crossing. O local fica próximo a um leito que deságua no Fitzroy River, patrimônio natural da região.
Documentos obtidos via liberdade de informações mostram que o departamento ambiental federal repetidamente levantou dúvidas sobre a qualidade dos estudos ambientais apresentados pela empresa. As notas indicam falta de dados sobre recursos hídricos e ecossistemas que podem ser afetados pela perfuração.
Especificamente, as autoridades destacaram a insuficiência de identificação de recursos de água superficial e subterrânea e a caracterização de ecossistemas dependentes de água subterrânea. Também apontaram a ausência de evidências suficientes para confirmar que o projeto não impactaria o Fitzroy River.
Entre as preocupações estão um possível dano a espécies vulneráveis, como o lagarto-raposa-do-norte corredor e o tubarão-largetooth, cuja área de desova está associada ao Fitzroy River. Além disso, a necessidade de consultar grupos tradicionais com vínculos culturais ao rio foi enfatizada pelas autoridades.
Conforme os documentos, o órgão federal recebeu pedidos para demonstrar o esboço de cenários de impacto em várias vias, incluindo valores culturais da tradição Rainbow Serpent. A avaliação aponta incertezas substanciais sobre processos hidrogeológicos e a conectividade entre água superficial e subterrânea, dificultando a avaliação de impactos.
Organizações de conservação, como Environs Kimberley, pressionam o governo a encerrar o processo, alegando que a Black Mountain não atendeu aos pedidos de dados. A entidade mencionou que o tempo para o envio de informações já foi longo e que, sem esses dados, não há base para decisão federal.
O processo de avaliação está em curso, com foco em impactos sobre recursos hídricos, espécies ameaçadas e os valores de herança nacional do Oeste Kimberley. O desenvolvedor precisará publicar a documentação para comentário público, além de demonstrar como incorporou feedback do órgão regulador.
Autoridades federais declararam que, durante a avaliação, não é possível comentar detalhes específicos. Reconheceram, porém, que qualquer projeto sob a lei ambiental nacional passa por uma apreciação rigorosa dos impactos potenciais antes de eventual aprovação. O tema envolve confirmação de dados, consulta pública e cumprimento de normas de proteção ambiental.
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