- Mais de oito centenas de pesquisadores e conservacionistas participaram, de 4 a 8 de maio, de Sharks International, em Colombo, capital do Sri Lanka.
- O encontro abordou o comércio global de tubarões e arraias, a situação de conservação e medidas como rewilding, melhoria de áreas marinhas protegidas e aumento de monitoramento e fiscalização.
- Dados indicam queda de mais de cinquenta por cento nas populações de tubarões e arraias desde 1970, e mais de um terço das espécies está ameaçado de extinção.
- O comércio de carne de tubarão e arraia, avaliado em dois bilhões e seiscentos milhões de dólares (2012–2019), supera o valor do comércio de barbatanas, estimado em um milhão e meio de dólares no mesmo período.
- Pesquisas destacam a alta mortalidade de arraias (cerca de 191 milhões por ano) em comparação aos tubarões (cerca de 100 milhões por ano), com 36% das arraias em risco e apenas parte protegidas por convenções como a CITES.
Mais de 800 pesquisadores e conservacionistas se reuniram em Colombo, capital do Sri Lanka, de 4 a 8 de maio, para Sharks International, a maior conferência mundial sobre tubarões. O encontro avaliou o comércio global de tubarões, a situação das raias e medidas de conservação, incluindo rewilding, melhoria de áreas protegidas marinhas e fortalecimento de monitoramento.
Dados apresentados mostram que a sobrepesca reduziu pela metade as populações de tubarões e raias desde 1970. Hoje, mais de um terço das espécies está ameaçado de extinção, segundo pesquisas discutidas no evento.
O comércio de carne ganha foco
Pesquisadores anunciaram estudos sobre o comércio de carne de tubarões e raias, grande motor da pressão pesqueira. O comércio de carne, avaliado em 2,6 bilhões de dólares entre 2012 e 2019, supera o valor da carne de cauda, conforme relatório da WWF de 2021.
Estudo da Dalhousie University tenta mapear quais espécies são realmente desembarcadas e como são comercializadas, indicando que a maior parte dos dados não chega ao nível de espécie. O projeto prevê publicar estimativas em papel no Science, ainda em avaliação.
Entre descobertas, o entendimento de que os EUA são grandes exportadores de raias, a Coreia do Sul figura como grande importador de elasmobrânquios, e a Índia, Indonésia e México aparecem como grandes consumidores de carne de elasmobrânquios.
Raias sob holofote
Estimativas indicam que quase o dobro de raias pode ser morta anualmente em relação aos tubarões, até 191 milhões, em trabalho ainda não revisado por pares. Cerca de 36% das raias, em geral, e 69% das raias associadas a recifes estão ameaçadas.
Raias costumam receber menos atenção em leis nacionais e acordos regionais, segundo especialistas, o que dificulta ações de proteção. Países como Bangladesh, Mianmar, Tailândia e Filipinas aparecem entre os com maior desembarque de raias.
O comércio de raias também envolve usos da pele para acessórios e itens de luxo, e em alguns casos o que é vendido como tubarão pode, na prática, ser raia.
Conservação e tecnologia
Pesquisadores apresentam técnicas para auxiliar a conservação, como barreiras elétricas para reduzir captura incidental, monitoramento por eDNA e imagens subaquáticas. A pesquisa também analisa o papel de espécies profundas, como tubarões abissais, cada vez mais visadas pela indústria.
Estudos com BRUVs (vídeos com iscas) ajudam a entender espécies como elasmobrânquios profundos, cuja proteção ganhou impulso com a inclusão de tubarões de água salgada em acordos como a CITES.
Programas de rewilding discutidos incluem o ReShark, que já liberou filhotes de tubarões-raposa-do-mar e leopardos-do-oeste em Indonésia, com planos para Fiji; e Shark Ray 360, que pretende liberar carpintas captivas no Taiwan em junho.
Desafios regulatórios e planos locais
Iniciativas locais envolvem comunidades para reduzir a pesca de tubarões, incluindo projetos de recompra de barcos em Lombok, na Indonésia, para incentivar a transição a atividades alternativas. Pesquisadores destacam a necessidade de planos de transição justos para evitar falhas na implementação.
Especialistas ressaltam que grande parte dos habitats críticos de tubarões, raias e quiméridos não coincide com áreas marinhas protegidas reconhecidas pelo governo, o que agrava o risco de extinção em várias regiões, principalmente na Ásia.
A reunião enfatizou que, além de ciência sólida, é essencial vontade política para traduzir recomendações em políticas públicas eficazes. Ações devem considerar impactos sociais e as realidades de comunidades pesqueiras.
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