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Florestas Atlânticas do Brasil registram menor desmatamento em 40 anos

Desmatamento da Mata Atlântica atinge menor nível em quarenta anos, mas leis mais fracas e eleição presidencial podem pôr em risco a tendência de queda

A deforested clearing in Brazil’s Atlantic forest, on 2 June 2024.
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  • A Mata Atlântica registrou o menor desmatamento em quatro décadas, com 8.658 hectares em 2025, abaixo de 10 mil pela primeira vez desde 1985.
  • Dois conjuntos de dados da SOS Mata Atlântica apontam queda no desmatamento: 40% a menos entre 2024 e 2025 (de 14.366 para 8.658 hectares).
  • O segundo conjunto mostra queda de 28% (de 53.303 para 38.385 hectares), com o menor registro desde o início das medições em 2022.
  • Ambientalistas reconhecem a melhoria, mas alertam para riscos de reversão caso avancem o pacote de “devastação” e haja retorno de um governo menos favorável à proteção ambiental.
  • A lei recém-aprovada, considerada a maior fraqueza à legislação ambiental, retira a exigência de aprovação prévia do órgão federal para desmatamento, deixando decisão aos governos locais; a constitucionalidade é contestada no Supremo.

O bioma da Mata Atlântica, o mais ameaçado do Brasil, registrou no último ano o menor nível de desmatamento em 40 anos de monitoramento. O dado é apresentado em dois conjuntos de informações divulgados nesta quinta-feira, com base em parcerias entre a SOS Mata Atlântica e outras organizações.

Entre 2024 e 2025, os registros apontam queda significativa no desmate: um conjunto aponta redução de 40% (de 14.366 para 8.658 hectares), já o segundo conjunto mostra queda de 28% (de 53.303 para 38.385 hectares). A diferença reflete a adoção de satélites com maior precisão na nova metodologia.

Apesar da tendência de queda, a ONG ressalta que o desmatamento permanece elevado e que cada fragmento perdido representa impacto considerável para o bioma, que hoje tem apenas 24% de sua cobertura original. A Mata Atlântica é a mais urbanizada e degradada entre os biomas brasileiros.

Riscos políticos

O avanço de leis que enfraquecem a proteção ambiental é visto como ameaça à continuidade da tendência de redução. O chamado projeto de devastação flexibiliza a atuação de estados, retirando a necessidade de aprovação prévia do órgão ambiental federal para autorizar desmatamentos locais, deixando a decisão com autoridades locais.

Lula chegou a vetar partes da legislação, mas os vetos foram derrubados pelo Congresso, que envolve maioria conservadora. Críticos afirmam que a norma pode dificultar o cumprimento de metas climáticas internacionais e favorecer o desmatamentoespontâneo.

A SOS Mata Atlântica aponta que, se aquilo for autorizado, o Brasil corre o risco de perder ganhos recentes no âmbito ambiental. A organização também destaca que a incerteza jurídica pode impactar a proteção de áreas indígenas e de reservas naturais.

Perspectivas e impactos

As informações de monitoramento indicam que a queda do desmatamento pode indicar trajetória de recuperação, acompanhada de ações de fiscalização e mobilização civil. Especialistas ressaltam que a continuidade da tendência depende de políticas públicas estáveis e de respeito a compromissos climáticos.

Segundo a organização, a possibilidade de alcançar zero desmatamento no bioma em poucos anos depende de manter políticas de proteção, investimentos em fiscalização e aumento de governança territorial. A discussão pública sobre o tema segue em curso no legislativo e no judiciário.

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