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Áreas úmidas do Cerrado guardam enorme depósito de carbono milenar, mostra estudo

Veredas do Cerrado armazenam até 1.200 t de carbono por hectare, oito vezes a biomassa da Amazônia, e drenagem pode liberar dióxido de carbono e metano

Fotografia da paisagem sazonalmente seca em um cofre climático gigantesco.
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  • Veredas do Cerrado armazenam até mil e duzentas toneladas de carbono por hectare, oito vezes mais do que a biomassa aérea da Amazônia.
  • O carbono está no solo há mais de vinte mil anos, acumulado em veredas, áreas úmidas do Cerrado.
  • O acúmulo ocorre porque o solo fica encharcado, reduzindo a entrada de oxigênio e atrasando a decomposição pela bactéria aeróbia.
  • A drenagem para uso agrícola libera carbono e, em alguns casos, metano, degradando o ecossistema e podendo afetar a segurança hídrica.
  • A descoberta amplia a relevância global das turfeiras do Cerrado, que não eram associadas a clima sazonal seco, e acende alerta sobre impactos da degradação.

O estudo, conduzido por pesquisadores da Unicamp e publicado na capa do New Phytologist, revela que áreas úmidas do Cerrado escondem uma grande reserva de carbono no solo. Veredas e campos úmidos foram mapeados até quatro metros de profundidade.

Os resultados mostram que essas áreas podem armazenar até 1.200 toneladas de carbono por hectare, oito vezes a biomassa aérea da Floresta Amazônica. O carbono acumulado no solo existe há mais de 20 mil anos.

O mecanismo envolve o alagamento prolongado do solo, que reduz o oxigênio e freia a decomposição por bactérias aeróbias. Assim, matéria orgânica rica em carbono permanece por milênios.

O estudo aponta que o Cerrado abriga turfeiras, ecossistemas ricos em carbono e nutrientes, cuja preservação é crucial para a biodiversidade. O carbono fica preso pela água, funcionando como escudo natural.

A pesquisa não apenas amplia o alcance geográfico conhecido de turfeiras, mas também indica que o Cerrado tem papel relevante no ciclo global de carbono. O clima sazonal do bioma surpreendeu os pesquisadores.

A drenagem das áreas úmidas para uso agrícola é apontada como principal ameaça. Com a retirada de água, o oxigênio penetra no solo e acelera a liberação de carbono para a atmosfera, elevando o potencial de aquecimento.

A equipe lembra que a degradação pode afetar a disponibilidade hídrica regional e a segurança de água no país, além de liberar gases de efeito estufa como dióxido de carbono e metano.

O estudo destaca a necessidade de políticas de conservação e manejo que protejam as veredas e os campos úmidos, evitando a liberação acelerada de carbono armazenado há milênios.

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