- Um estudo conjunto do Institute for Public Policy Research (IPPR) e da Persuasion UK indica que narrativas de direita alimentam a percepção falsa de que a população é contrária ao net zero, apesar de a maioria apoiar ações climáticas.
- A cobertura da imprensa sobre net zero é mais de duas vezes mais negativa do que as atitudes do público, o que sustenta a ideia de descontentamento com políticas climáticas.
- O relatório aponta que parlamentares subestimam o apoio popular e superestimam a oposição a projetos de infraestrutura de energia limpa locais.
- A pesquisa associa o net zero a uma caricatura de soberania nacional por parte da ultradireita e, ao mesmo tempo, a temas “woke” ligados à imigração e gênero, que costumam gerar desconfiança entre quem vota na direita.
- Pesquisas mostram que quarenta por cento dos eleitores apoiam fortemente o net zero, quase o dobro dos vinte e quatro por cento que se opõem, reforçando a necessidade de tornar as opções de energia limpa simples, acessíveis e comuns no dia a dia.
Dois estudos independentes apontam que a mídia de direita no Reino Unido alimenta a ideia de que a população é contrária ao net zero, diferindo do apoio público. A análise identifica narrativas de veículos conservadores como potenciando uma retórica de retrocesso climático.
Os pesquisadores afirmam que a cobertura negativa do net zero supera em mais de duas vezes a percepção pública. Esse viés contribui para uma visão de que políticas climáticas são impopulares entre eleitores, ao passo que o público mantém apoio significativo às ações climáticas.
Contexto político
A pesquisa, realizada pelo IPPR e pela Persuasion UK, aponta que elites políticas subestimam o apoio popular a políticas de transição energética. Segundo o estudo, MPs tendem a ver maior resistência entre os eleitores do que realmente existe.
Becca Massey-Chase, pesquisadora-chefe do IPPR, descreve a percepção de backlash como um mito político. O estudo ressalta que a população britânica apoia ações climáticas, e que o principal risco é a divisão entre elites e a narrativa midiática.
Desdobramentos e leitura política
A análise observa que a direita busca associar o net zero a temas como soberania e agendas culturais progressistas, rotulados como questões “woke”. Esse enquadramento tenta ligar os temas a custos de energia, dificultando o apoio a projetos de infraestrutura de energia limpa.
O relatório destaca que Reform UK e o Partido Conservador promovem a ideia de que a oposição acompanha o eleitor comum contra uma elite descolada, com financiamento de setores de combustíveis fósseis e céticos climáticos fortalecendo esse argumento.
Dados de opinião pública
Entre a população, 40% permanece como núcleo de apoio firme ao net zero, enquanto 24% manifestam oposição assertiva. A fração restante demonstra posição intermediária ou indecisa. Os números indicam um apoio estável mesmo diante de ataques constantes.
Sam Alvis, do IPPR, afirma que o público prioriza proteção contra os impactos da mudança climática. O estudo recomenda que formuladores de políticas tornem escolhas de energia limpa simples, acessíveis e integradas ao cotidiano.
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