- Em Mato Grosso, o setor agroindustrial avança com práticas regenerativas, como o programa REVERTE, que visa recuperar pastagens degradadas até mil hectares até 2030.
- O programa oferece empréstimos de longo prazo e apoio técnico; até o início de vinte e vinte e seis, já havia restauração em milhares de hectares e financiamento superior a centenas de milhões de reais.
- Em Itaúba, os irmãos Biancon demonstram melhoria do solo em fazendas que passaram de pastagens degradadas para culturas como algodão, milho e soja, após adesão ao REVERTE.
- A restauração de pastagens degradadas é vista como caminho para reduzir pressão sobre a floresta, mas ainda existe grande área degradada e dúvidas sobre sustentabilidade a longo prazo sem políticas públicas que interrompam a expansão.
- O governo já lançou o Caminho Verde Brasil para recuperar até quarenta milhões de hectares de pastagens degradadas até a década de trinta, financiando por meio de recursos públicos e privados.
In Mato Grosso, o estado que funciona como polo agrícola do Brasil, a fronteira entre Cerrado e Amazônia avança com cultivo de soja, carne e inovações em manejo. No entanto, a pressão de desmatamento persiste, mesmo com programas de restauração e financiamento verde em curso.
Na fazenda da família Biancon, em Itaúba, a transição ocorreu de áreas degradadas pela pecuária para lavouras de algodão, milho e soja. Os irmãos, hoje co-proprietários, integram o programa REVERTE, que financia a recuperação de pastagens degradadas visando evitar novas desmatadas.
O projeto REVERTE, desenvolvido pela Syngenta em parceria com The Nature Conservancy e financiado pelo Itaú BBA, já atua em 11 estados. A meta é recuperar 1 milhão de hectares até 2030, com empréstimos de 10 anos aos produtores, cobrando juros apenas no início.
Especialistas apontam que, nos últimos anos, quase todo o desmatamento no bioma Amazônia e no Cerrado tem origem na expansão da pecuária. Mesmo assim, a demanda global por soja e carne mantém o ritmo de expansão da fronteira agrícola brasileira.
Estudos indicam que o Cerrado abriga vastas áreas de pastagens degradadas. A restauração tem custo elevado, o que dificulta a transição de produtores que preferem abrir novas áreas. A ideia é, portanto, compatibilizar uso produtivo com conservação.
Para ampliar a escala, o governo lançou o Caminho Verde Brasil, que visa recuperar até 40 milhões de hectares de pastagens degradadas até 2033. A iniciativa busca combinar recursos públicos e privados, incluindo mecanismos de financiamento de longo prazo.
A Agropecuária brasileira tem mostrado avanços em tecnologia e manejo no combate aos impactos ambientais, com práticas como plantio direto e uso de insumos mais eficientes. Mesmo assim, a dependência de defensivos ainda é um desafio.
Optar pela no-till e pela integração de plantas fixadoras de nitrogênio aparece entre as estratégias para reduzir impactos. Entidades como WWF Brasil ressaltam a necessidade de governança florestal mais robusta para evitar que aumentos de produtividade aumentem a expansão.
Especialistas alertam que, embora programas como REVERTE possam proteger áreas protegidas, o risco de expansão futura segue alto sem políticas públicas que desestimulem desmatamento e sem compromissos privados vinculantes.
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