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Pescador do Nilo ganha mais coletando plástico do que pescando

Poluição plástica reduz a pesca em al-Qarsaya; cerca de 180 pescadores passam a coletar plástico, vendendo-o a preços acima do mercado

Mohammed Ahmed Sayed Mohammed searches for plastic bottles in the Nile near al-Qarsaya island, Cairo, Egypt.
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  • Mohammed Ahmed Sayed Mohammed, pescador da ilha al-Qarsaya, em Cairo, passou a coletar plástico no Nilo em vez de pescar.
  • Cerca de 180 pescadores da ilha migraram para a coleta de resíduos, devido à queda na população de peixes causada pela poluição plástica.
  • A iniciativa Very Nile paga aos pescadores valores acima do mercado pelo plástico, com plástico a 33 libras (£0.52) por quilo e latas a 85 libras (£1.34) por quilo; peixes chegam a 70 Egyptian pounds por quilo.
  • Desde 2018, a Very Nile já coletou mais de 454 toneladas de plástico do Nilo e opera uma fábrica de reciclagem na cidade de 6th of October.
  • A entidade emprega 25 mulheres em áreas como oficinas de separação e design de produtos, e criou serviços comunitários em al-Qarsaya, incluindo clínica de emergência.

Mohammed Ahmed Sayed Mohammed, morando na ilha de al-Qarsaya, acorda às 6h e guia seu barco pelas águas do Nilo em direção aos clubes ribeirinhos do Cairo. Hoje ele caça plástico, não peixe, parte de uma mudança que se acelerou nos últimos anos.

A pesca diminuiu no Nilo devido à poluição plástica. Cerca de 180 pescadores locais migraram da pesca tradicional para a coleta de resíduos, impulsionados por um programa de reciclagem que paga preços acima do mercado pelo plástico coletado.

O que acontece e quem está envolvido

O programa Very Nile, criado em 2018 pela social enterprise Bassita, compra plástico por valores superiores aos usados em recicladoras comuns. O objetivo é conservar o rio e oferecer alternativa econômica aos pescadores.

Sayed chegou de Assiut, no sul, aos 14 anos como aprendiz de pesca. Hoje vive com a família na ilha que abriga cerca de 200 casas e 12 gerações de residentes. Além dele, há 25 mulheres envolvidas em oficinas e operações de cozinha ligadas ao projeto.

Quando, onde e por quê

O programa funciona em al-Qarsaya, no Cairo central, uma área isolada que só é acessível por ferry ou barcos de pesca. A iniciativa já recolheu mais de 454 toneladas de plástico desde 2018, processadas em uma fábrica em 6 de Outubro City.

Apesar da queda na renda com a pesca, a economia local ganhou fôlego com o plástico. O plástico sobe para 33 libras por kg, além de itens como latas de metal que chegam a 85 libras por kg. Em períodos de menor atividade, o ganho com plástico supera o que era obtido com peixe.

Impacto social e ambiental

A atuação inclui a distribuição de 150 barcos gratuitos aos pescadores, três locais de operação e a criação de uma clínica de emergência em al-Qarsaya. A iniciativa também capacita moradores para atividades de cultivo de verduras, alimentando a cozinha comunitária.

A presença de Very Nile transformou a vida na ilha. Mulheres trabalham em áreas de manejo, enquanto jovens estudam online na Universidade de Khartoum, devido a conflitos regionais. A comunidade observa mudanças no ecossistema do Nilo, ainda que os resultados exijam continuidade.

Perspectivas e continuidade

As atividades de reciclagem já geram renda estável para muitas famílias da ilha. A expectativa é ampliar o alcance com mais empregos locais, fortalecendo a economia de al-Qarsaya e contribuindo para a limpeza do rio.

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